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Território da Música: Artigos (Rock)

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

The Kinks - The Kinks Are The Village Green Preservation Society (1968)


Hoje em dia quando The Village Green..., é universalmente aclamado como uma obra-prima do pop e um dos melhores discos dos kinks, é dificil imaginar a indiferença que acompanhou o lançamento do album em 1968. É provável que tenha soado ingênuo em comparação com Hendrix, os Stones e a Guerra do Vietnã - mas que músicas! Depois de anos produzindo mecanicamente singles de sucesso, Ray Davies estava estressado e ansioso por uma mudança de ares. Então mergulhou nas lembranças idealizadas de sua juventude, em busca de inspiração. O resultado foi um disco de canções atemporais sobre pastagens, álbuns de fotografias e primeiros beijos.A faixa-título, "The Village Green Preservation Society", detona o processo com uma excêntrica ode ao Pato Donald e à geléia de morango. "Do you Remember Walter", com seu piano explosivo e sua batida ressonante, captura o subtexto de melancólica nostalgia do disco, enquanto Davies canta: "Aposto que voce está gordo, casado e sempre vai para a cama por volta das oito e meia da noite." Outros destaques incluem jóias cativantes como "Picture Book" e "Animal Farm", ou a beleza sublime de "Big Sky" e "Sitting By The Riverside". Mesmo o coro bizarro de "Phenomenal Cat" é - claro - fenomenal.Os fãs devem procurar a edição de luxo deste álbum essencial, com três CDs, lançada pela Sanctuary Records, que traz ainda um caminhão de raridades.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Country Joe And The Fish - Electric Music For The Mind And Body (1967)


Militante de esquerda antes e depois de um período na Marinha, Joe McDonald chegou a São Francisco como estudante, mas rapidamente se viu absorvido pelo cenário folk e pela Instant Action Jug Band (batizada de Country Joe and the fish para o mercado fonográfico, um nome que invocava - para quem conhecia - Stalin e Mao). Foi apenas no verão de 1966 que a banda começou a substituir os instrumentos de musica folk por guitarras elétricas, e o segundo extended play (EP) do grupo deu suficiente gás para sua contratação pela Vanguard, de Nova York, especializada em folk e clássico, que vinha assistindo a transformação de sua rival Elektra num confiável selo de Rock.

Naquele tempo, São Francisco era um celeiro de estudantes radicais movidos a LSD e política. No cenário musical, o movimento psicodélico estava em seu estágio embrionário, com poucas bandas conscientes das possibilidades que o ano de 1967 traria. O LP do The Fish abriu as portas para tudo o que viria nos dois anos seguintes - mesmo com a insistência da Vanguard em não incluir no disco a canção mais popular do grupo em apresentações ao vivo, "I Feel Like I'm Fixin'To Die Rag".

Entrelaçando humor ácido em seus ácidos ritmos, Electric Music... é um dos discos mais coerentes do Verão do Amor e da geração hippie; as guitarras alternam efeitos suaves e golpes no cérebro; as letras contêm ataques satíricos a Lyndon Johnson ("Superbird") e épicos resolutos sobre drogas ("Bass Strings");há blues, folk e rock para todos os gostos. E, no rastro deste álbum, o humor do país, sua juventude e sua música mudaram completamente. Nada mal.

terça-feira, 29 de julho de 2008

The Incredible String Band - The Hangman's Beautiful Daughter (1968)


Esta maravilha do acid folk é uma poderosas semente da atual "world music", e uma máquina do tempo que leva ao estilo hippie de vida rural da Inglaterra entre 1966 e 1973. O colorido idílio campestre sugerido pela capa (o duo do ISB, Mike Heron e Robin Williamson, aparece com vários integrantes da banda e os filhos de um amigo) certamente inspirou muita gente a tentar uma vida comunitária no campo.

Empurrados por Joe Boyd, um produtor de música folclórica de Glasgow, os Incredibles se firmaram como um grupo hippie da Inglaterra, evoluindo rapidamente para o mundo underground com o disco The 5,000 Spirits, de 1967. Seu talento para compor e aparente habilidade para tocar qualquer instrumento disponível na trilha hippie até o Marrocos (gimbri, oud, cítara, etc.)cativou gente como McCartney, Dylan, Plant e Winwood. Jagger e Richard até presentearam a banda com um Bentley, numa tentativa infrutífera de contratá-la para seu selo, quem sabe, num chá para astros...

O zunzunzum em torno do grupo culminou com The Hangman's..., lançado na primavera de 1968, que chegou ao quinto lugar na parada britânica. O disco revela uma consistente grandeza de visão, musicalidade e letras que os Incredibles não conseguiram repetir. O álbum foi gravado na Sound Techniques, com um então revolucionário equipamento de oito canais, e a banda pode mixar uma versão sonora única de seu sonhos coloridos, uma tapeçaria tecida somente com instrumentos e sons acústicos. Cada faixa mais parece uma suíte do que uma canção, trazendo música celta, rock'n'roll, gospel, harmonias plenas, momentos quase qwaali e a sonoridade da Índia e do Norte da África sem esforço aos nossos ouvidos.

domingo, 27 de julho de 2008

Big Brother And The Holding Company - Cheap Thrills (1968)


"O que estamos tentando fazer com a música é apenas voltar aos bons e velhos tempos, quando a gente dançava e ficava doidão." - Janis Joplin 1968



A fama de Cheap Thrills entre os críticos repousa na grandeza teatral do vocal cru e visceral de Janis Joplin. Misturando tradiçoes e influencias à atmosfera típica do Haight, o distrito hippie de São Francisco, as performances de Joplin neste album transcendem qualquer discussão da época a respeito de uma texana branca ter ou não condições de cantar blues. Se for possível extrair mais emoção das músicas, não será neste planeta.

Depois da apresentação do grupo no Festival Pop de Monterey, em 1967, o publico aguardava com ansiedade o lançamento do disco. Cheap Thrills prontamente alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas e ali se manteve durante oito semanas, ganhando o disco de ouro; o single "Piece Of My Heart" chegou ao 12º. A voz de Joplin torna o album atemporal (sua leitura vulcânica de "Ball And Chain", Willie Mae Thornton, foi um dos destaques de Monterey; cenas filmadas mostravam Mama Cass assistindo à apresentação de Janis Joplin em êxtase). O disco, porém, contém muitas lembranças do Haight-Astbury do final dos anos 60. Sua intensidade pode ser percebida nos simbólicos quadrinhos de Robert Crumb na capa (a foto de Janis Joplin acabou indo parar na contracapa), e também na exuberância com que a banda adota uma variedade de estilos de música negra - especialmente o doo-woop, o soul e o blues. As limitações de gênero são claras: às vezes, o tom pesado dos solos e dos ritmos da banda a impede de alçar vôo com Joplin; é a voz dela, suplicante, enlevada e potente, que permanece.

Sendo assim, não é surpresa que ela tenha deixado o Big Brother (com o guitarrista Sam Andrew) quando o album ainda estava nos primeiros lugares - infelizmente, Janis nunca encontrou outro contexto musical que realmente a alimentasse.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

The Mothers Of Invention - Freak Out! (1966)


A banda de Frank Zappa ra conhecida simplesmente como The Mothers, até que uma nervosa MGM se deu conta do que a empresa tinha nas mãos com este demolidor disco de estréia. As vésperas do lançamento de Freak Out!, o segundo album duplo da história do rock (Blonde On Blonde, de Dylan, havia acabado de sair), a gravadora entrou em pânico com a idéia de que as possíveis implicações do controvertido nome do grupo pudessem afugentar os DJs. "Como se o nosso nome fosse o Grande Problema", observou secamente Zappa em sua autobiografia.

Nascidos no coração da florescente cultura freak da Costa Oeste e contratados pelo produtor Tom Wilson, Zappa e sua banda decidiram fundir cabeças na sua estréia. E mais, o disco tinha um propósito. "Cada música tinha uma função, dentro de um conceito totalmente satírico", disse Zappa.

"Who are The Brain Police?" resume bem esse conceito: uma queixa arrepiante contra o autoritarismo, que descreve como os objetos e a mente podem derreter. Há em todo disco músicas abertamente esquisitas, paródias do pop fácil, como "Go Cry On Somebody Else's Shoulder", um pastiche do doo-wop, em contraponto com canções de amor com arranjos elaborados, como "How Could I Be Such A Fool?". As guitarras psicodélicas e os riffs de dirty blues tornam o álbum mais profundo no segundo disco: "Help, I'm Rock" depura a essencia do freak e torna tudo abstrato; "The return Of The Son Of Monster Magnet", que ocupa o lado D inteiro do lançamento em vinil, é um encerramento experimental e barulhento.

Freak Out! marcou o surgimento de um compositor único e desafiador, que ultrapassou fronteiras ao longo de toda a sua carreira.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Led Zeppelin - Led Zeppelin II (1969)


O segundo album do Led Zeppelin é mais notável pelo curto espaço de tempo que seus criadores tiveram para aperfeiçoa-lo - Led Zeppelin II foi gravado durante os intervalos dos shows, em meio a uma turnê nos EUA. De certa forma, parece claro como a pressa tornou o album melhor: as faixas "Whole Lotta Love", "The Lemon Song" e "Bring It On the Home" são baseadas em clássicos eternos do blues e mantém uma crueza que teria sido polida se houvesse mais tempo e dinheiro.

A banda consegue, de modo ainda mais impressionante conservar todas as sutilezas, apesar da pauleira das apresentações ao vivo que encarava todas as noites: os principiantes tem de ouvir "Ramble On", uma bela e multifacetada balada acústica com um refrão opressivo que sintetiza os principios basicos da banda - riffs pesados e pouca moderação. "Thank You" é outro trabalho acústico extremamente bem executado, mas o que torna o album soberbo até hoje são os sons grandiosos de Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham.

"Whole Lotta...", em particular, conseguiu superar a barreira do tempo, ja que foi, durante anos, tema do eterno programa musical da Tv Britanica Top Of The Pops e figurinha fácil no album de favoritos de qualquer amante do rock. De fato, canções como esta entraram e reentram tantas vezes nos cânones do rock que ultrapassaram o ponto de clichê e se eternizaram como intens do vocabulário musical. Tudo isso faz com que seja ainda mais fascinante o fato de este segundo disco do Led ser tão cheio de luz e sombra.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

The Velvet Underground - White Light/White Heat (1967)


Lá pelo final de 1967, o patrono do The Velvet Underground, o célebre Andy Warhol, havia perdido o interesse pelo grupo, o que levou o cantor e letrista Lou Reed a entrar em contato com Steve Sesnick, de Boston. O novo empresário pressionou Reed a imprimir à banda um caráter mais comercial - para o desagrado do baixista e organista John Cale. O lado A de seu segundo LP é notável pela temática perversa, incluindo a melodicamente distorcida faixa-título, que defende o uso de anfetaminas. "The Gift" conta a história tragicomica de Waldo Jeffers, que tem tanto medo de ser traído por sua namorada da faculdade que se envia a ela pelo correio. Cale faz a narração, seu agradável sotaque galês sendo transmitido por um canal, enquanto no outro entra um R&B a meio tempo,entrelaçado com arremedos de guitarra elétrica. "Lady Godiva's Operation" faz uma desconfortável leitura médica da lenda medieval, com os vocais se destacando da mistura psico-noir, num efeito artístico. O lado B puro furor. Em "I Heard Her Call my Name", Cale, o guitarrista Sterlingo Morrison e o baterista Mo Tucker martelam uma veloz base ritimica, enquanto o líder Reed solta a voz em rajadas no estilo free jazz. "Sister Ray" é o despertardor do noise-rock: 17 minutos de sexo, drogas e armas conduzidos por ondas gigantescas de feedback, notas dissonantes e golpes de garage. White Ligth/White Heat foi lançado com ainda menos cópias do que o album de estréia, chegando ao 199º lugar na parada da Bilboard. No entanto, em termos de alta amperagem e liberdade em estado bruto, nada se compara a este disco.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

The Pretty Things - S.F. Sorrow (1968)


Os Pretty Things ganharam destaque no início dos anos 60 requentando um R&B inspirado em Bo Diddley. Seu som inicial, apresentado nos primeiros singles, como "Road Runner", era ainda mais obsceno, embora menos popular, do que o dos Rolling Stones. Animado pelo florescente movimento psicodélico, o grupo entrou numa fase de transição com o introspectivo Emmotions, de 1967, uma tentativa sem importancia, exceto por ter preparado o terreno para o seu maior feito. Gravado durante uma estada regada a drogas em Abbey Road, durante o Verão do Amor, S.F. Sorrow foi um projeto audacioso que deixaria sua marca nas futuras óperas-rock. Pete Towshend cita S.F. Sorrow como a maior influência sofrida pro Tommy, de 1968 - uma afirmação um tanto suavizada, considerando-se as semelhanças entre os dois trabalhos. Utilizando os truques de estúdio aprendidos na gravação de Sgt. Pepper..., Norman Smith ajudou o vocalista Phil May a dar vida á história de Sebastian F. Sorrow através de um caleidoscópio de colagens vocais, instrumentação do Oriente Médio e fuzzy guitar. Os sons variam da introdução a capela, de tirar o folêgo, em "Bracelets Of Fingers" e da cítara graciosa de "Death" às suculentas harmonias vocais de "The Journey" e á densa guitarra de "Old Man Song". Apesar de apresentar um trabalho de primeira linha, S.F. Sorrow foi recebido com indiferença fora da Inglaterra (nos EUA, o lançamento tardio do disco levou muita gente a pensar que a banda estava simplesmente se aproveitando do sucesso de Tommy). O fato é que os fãs nunca teriam chegado a ouvir Tommy, a escalar o The Wall do Pink Floyd ou a pular com American Idiot, do Green Day, se os Pretty Things não tivessem alcançado a maioridade antes com S.F. Sorrow.

Paul Revere And The Raiders - Midnight Ride (1966)




Será que houve alguma banda mais perigosa do que os Raiders? Em meio à invasão de grupos beat britânicos, eles ficaram lado a lado com os Byrds e os Beach Boys. No período que permanece como o momento mais alto do pop, eles emplacaram uma série de sucessos. Tocavam com uma vitalidade única, forjada em anos de apresentações em qualquer clube que os aceitasse. Sua enxuta música punk nunca saiu de moda e ainda é tão corajosa como há 40 anos. Os que se lembram deles geralmente recordam suas roupas da época da Guerra da Independencia dos EUA, as palhaçadas e acrobacias e o fato de que eram a atração favorita de Dick Clark em seu programa diário na TV, Where The Action Is. Até mesmo os Monkees gozavam de maior credibilidade. Mas, em 1966, o rugido que era a marca registrada do vocalista e líder Marc Lindsay em "Louie, Go Home" soava tão feroz como o de Eric Burdon, dos Animals, ou de Van Morrison, do Them, e influenciou de forma significativa Roger Daltrey, do The Who. E, musicalmente, tudo se encaixou de maneira perfeita em Midnight Ride, com nove canções compostas pela banda. As músicas restantes são talvez, dois dos melhores singles dos anos 60. "kicks", de Barry Mann e Cynthia Weill, é uma pungente advertência contra as drogas que, no entanto, trata o cerebro da pessoa como se já estivesse reduzido a uma pasta. um clássico do garage, "I´m Not Your Stepping Stone" (de Tommy Boyce e Bobby Hart), seria, mais tarde, gravado pelos Monkees, mas esta versão foi a que inspirou a dos Sex Pistols. O pop-punk nunca foi melhor.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

B.B.King - Live At The Regal (1965)


Não devia ser fácil aprender a tocar guitarra elétrica numa cidade sem eletricidade, mas, na época em que B.B.King veio de Indianola, no Mississipi, para tocar no Regal Theatre, em Chicago, em novembro de 1964, ele tinha passado 39 anos tentando. Ao tomar conta de palco naquela noite, com mais de 20 singles nas paradas de sucesso, uma famosa guitarra Gibson que ele chamava de Lucille presa nas costas e um exército de mulheres ameaçando avançar sobre ele, podia-se dizer que king havia finalmente conseguido. Lucille foi a primeira a "falar" quando a banda entrou apresentando-se à entusiasmada platéia com dois ou três riffs dançantes, contra os metais em unissono e a percussão em dois tempos. B.B. rapidamente respondeu à guitarra, proclamando, em sua imponente voz "Everyday I Have The Blues!". Foi uma conversa infinita, a mesma que havia tornado os dois famosos na década anterior. King comandava o público, arrancando gemidos e lamentos dos fiéis, atraindo cada um deles para um papo a três, com ele e Lucille. Depois da abertura, veio a sufocante "Sweet Little Angel" e como "ela adora abrir suas asas". Os gritos subiam da pláteia como uma névoa. Mas não se tratava de sexo, e sim de blues, e B.B. era quem explodia de saudade e mágoa. As versões incandescentes de "It´s My Own Fault", "How Blue Can You Get" e "You Upset Me Baby", acentuadas pelas carícias no pescoço de Lucille, se tornariam a viga mestra do blues ao vivo e ajudariam a coroar King como o maior guitarrista do gênero na história.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Bob Dylan - The Freewheelin´Bob Dylan (1963)


Se a musica folk foi o pilar da cultura popular americana nos anos 50 e 60, ninguem incorporou as tensões da epoca tão bem quanto Bob Dylan. E The Freewheelin... foi particularmente responsável por firmar sua fama de cantor e compositor de técnica quase perfeita, dotado de uma visão poética focada no detalhe, na narrativa e no humor. O álbum sublinha o compromisso de Dylan com as mudanças sociais ( a capa mostra Dylan com sua namorada na época, Suze Rotolo, caminhando por Greenwich Village, onde atraiu atenções pela primeira vez como cantor folk). Uma trilogia de musicas do disco - "Blowin in the wind", "A Hard Rains A-Gonna Fall" e "Masters of War" - parecia englobar o desejo de mudança de toda uma geração. As três permanecem, em muitos aspectos, como as canções mais duradouras de Dylan, regravadas por artistas de todos dos gêneros, incluindo o rap, o reggae e ou country. Como sempre, Dylan se desviou do caminho para desafiar as classificações musicais - estabelecendo esse padrão para o resto de sua carreira. Em músicas como "Don´t Think Twice, it´s all right" e a sublime "Girl from the north Country", ele joga com a temática de amor trágico das baladas, o surrealismo e até temática de amor trágico das baladas, o surrealismo e até mesmo a comédia. Nesse aspecto, no minimo, The Freewheelin...deve muito ao trabalho de uma pessoa que o inspirou no início: Woody Guthrie. Essas musicas igualmente ignoram a embalagem colorida da sociedade americana, preferindo se identificar com as massas oprimidas do campo. Dessa forma, o álbum pode ser visto como um manifesto. Apesar de Dylan lamentar o rótulo de porta-voz de sua geração, The Freewheelin´... é uma rara evocação de uma época em país.

Buffalo Springfield - Buffalo Springfield Again (1967)


O Buffalo Springfield (era o nome de uma máquina de terraplanagem usada nas estradas de Los Angeles) tinha cantores/compositores demais para sobreviver. O grupo ganhou fama em 1967 com o single "For What It´s Worth", de Spephen Still, que ficou entre os dez primeiros das paradas americanas - um retrato lindamente suavizado de tempos turbulentos. Mas, quando apareceu o seugundo LP, Stills e Young estavam brigando ferozmente por tempo e espaço, deixando para trás o menos comedido Furay. A essa altura o Springfield era menos um grupo do que uma coleção de individuos, cada um concentrado em suas próprias canções - com a exceção de "Good time Boy", escrita por Furay para ser cantada pelo baterista Dewey Martin. Várias faixas deixavam pistas sobre as futuras direções musicais da banda: "Expecting to Fly" e "Broken Arrow" apresentam paisagens sonoras ambiciosamente orquestradas por Young e Jack Nitzsche, que mais tarde trabalharia com o cantor em diversos projetos solo, incluindo Harvest. Por outro lado, "Everydays", a superior "Bluebird" e, particularmente, "Rock and roll Woman" são exemplos típicos da abordagem que Stills adotaria depois - vocais poderosos contra uma rica mistura de violões brilhantes e límpidos, e robustas guitarras elétricas. A combinação das raízes folk-rock e country do Springfield com um rock mais pesado seria de grande influencia para a proxima geração de grupos de rock da Costa Oeste - mais especificamente os Eagles. A contracapa do álbum mostra uma lista de agradecimentos a "amigos, inimigos e pessoas que não conhecemos de lugar algum". Primeiro nome da Lista? Hank B. Marvin, guitarrista do grupo instrumental inglês The Shadows.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

The Yardbirds - The Yardbirds (1966)


Os Yardbirds lançaram finalmente seu primeiro album, gravado em estudio em agosto de 1966, na época em que a banda contava com a guitarra incendiaria de Jeff Back (que substituiu Eric Clapton). O disco atrasou por conta de uma longa turnê pela Europa e Inglaterra (onde os Yardbirds se tornaram fonte de inspiração para inumeras bandas psicodélicas e de garagem que estavam começando) e acabou sendo composto e gravado em apenas uma semana nos Advision Studios, em Londres. The Yardbirds (também conhecido como Roger The Engineer) mistura um blues carregado, protótipos psicodélicos, feedback e canto gregoriano com efeitos especiais. Antecipando o blues-rock pesado do Cream e do Led Zeppelin, as calcinantes "Lost Woman", "The Nazz Are Blue" e "Rack My Mind" refletem a maneira como a banda acrescentava fúria ao toque e aos riffs de guitarra do blues tradicional ("Someone To Love Me", de Snooky Pryor, "Dust My Broom", de Elmore James, e "Baby Scratch My Back", de Slim Harpo), dando oportunidade para Beck mostrar seu talento impressionante (ele faz um maravilhoso solo, sustentando uma unica nota, em "The Nazz are blue"). Um single virou um hit: "Over, under Sidways, Down" baseia-se na linha de baixo de "Rock Around The Clock", mas soa futurista graças à guitarra sinuosa de Beck, à estrutura "para-recomeça" da música e aos estimulantes gritos de Hey!!. Os relançamentos do album incluem "Happenings Ten Years Ago", uma festa de arromba com um time dos sonhos, formado por Beck, Jimmy Page, e "Psycho Daisies".

Cream - Disraeli Gears (1967)



O trio de jazz-blues-rock Cream atualizou o ávido experimentalismo de seu álbum de estréia, Fresh Cream (1966), acrescentando os efeitos psicodélicos que prevaleciam nos estúdios em 1967 - novos refinamentos como o pedal wah-wah e as distorções de guitarras -, e chegou a seu auge artístico com Disraeli Gears. Rotulado como a primeira superbanda, graças aos deslumbrantes talentos do guitarrista Eric Clapton, do baixista e vocalista Jack Bruce e do baterista Peter "Ginger" Blake, o Cream, com este disco, abriu as portas para novos gêneros musicais, como o jazzfusion e - dizem - o rock progressivo. A simbólica colagem fluorescente da capa do disco era o acompanhamento perfeito para a enxurrada de música de vanguarda ali contida, a começar pela dispersa e memorável "Strange Brew", na qual os gemidos fantasmagóricos de Bruce se sobrepõem com etérea economia ao estilo convulsivo, quase funk, de Clapton na guitarra. E fica cada vez melhor: "Sunshine of Your Love" (que, ao lado de "White Room", é a canção mais conhecida do Cream) serviu de inspiração para uma torrente de guitarra ao vivo despejada pelo único sério rival contemporâneo de Clapton, Jimi Hendrix. "Tales of Brave Ulysses" é um poema feroz embebido na guitarra lacerante e bluseira de Clapton, enquanto a tradicional "Mother´s Lament" é uma referência direta às influencias dos musicos do grupo. Foi basicamente pelas apresentações ao vivo que o Cream ganhou sua reputação - e com razão: no palco, o grupo parecia possuído por Robert Johnson e Charlie Parker. Disraeli Gears continua sendo seu melhor disco, apesar da força de seus outros albuns. Permanece como um retrato vital de uma época única.

The Who - Tommy (1969)


Constantemente rotulado como uma ópera rock e quase sempre descrito como uma mostra do conceitualismo narcisista de colegiais, o expansivo e ingênuo Tommy conta com todos os atributos de um clássico, mas também com todos os defeitos de um Frankestein. Na aparência, trata-se da historia de um garoto surdo, retardado e cego, nascido numa família desequilibrada (ele é aterrorizado pelo primo e pelo tio), que se revela no fliperama e na música e se torna um ícone messiânico no melhor estilo do final dos anos 60. Mas o album é mais precisamente uma viagem pela infancia real e imaginária de Pete Towshend. Musicalmente o disco é um cruzamento entre hinos do tipo mod e o rock agil no estilo unico do The Who, e contém os melhores momentos da carreira do grupo, como "Pinball Wizard", "I´m Free", "We´re not gonna take it". Composições conceituais ambiciosas como "1921", "Underture" e "Smash the Mirror" são mais sólidas do que essenciais - esses 15 minutos poderiam ser cortados do album e ninguem se queixaria -, mas a maior parte do publico aceitou a idéia de que este era o preço a pagar para se ter o maior dos épicos. Apesar de o sigficado dessa história jamais ter sido de fato explicado, Tommy é tão culturalmente influenciador como musicalmente variado. O album aproveitou os conceitos explosivos de sua óbvia inspiração, Sgt. Pepper... - lançado no ano anterior -, obra dos Beatles,e, desta forma, inspirou todo o rock progressivo de trabalhos posteriores, como The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd. Por essa razão - mesmo que o album seja, às vezes, uma viagem pelo rock -, todos agradecem.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

The Stooges - The Stooges (1969)



No final dos anos 60, Detroit, uma cidade com orgulho de sua herança musical, era sinonimo do adocicado soul lançado pelo pioneiro Berry Gordy em seu selo Motown. Tudo isso mudou em 1969, a partir do album de estreia dos Stooges, uma onda corrosiva de guitarras alucinantes e uivos primitivos do cantor Iggy Stooge (como era então conhecido). Os Stooges foram uma segunda escolha da Elektra - o diretor de artists and repertoir Danny Fields foi a Detroit para contratar o MC5 e seu garage rock, mas ficou tão impressionado com um show dos Stooges que decidiu dar a eles uma chance, tambem. Em Junho de 1969, a banda seguiu rumo a Nova York para fazer o album com John Cale (ex-Velvet Underground). O unico problema era a falta de repertorio. Apesar de sua força ao vivo, a banda tinha apenas 3 músicas prontas. O diretor da gravadora, Jac Holzman, enfiou o grupo num quarto de hotel e deu prazo de dois dias para que completassem o disco. A banda emergiu com uma série de esquisitices brilhantes que não eram exatamente nem garage rock nem canto fúnebre. Cale impôs limites a canções como "1969", que ameaça explodir, mas não entra no território da loucura, e "I Wanna Be your Dog", na qual os poderosos golpes de guitarra são contidos com rédea firme. Cale toca viola em "We Will Fall", uma peça de 10 minutos de estupor narcótico saído diretamente dos canônes do Velvet Underground para a inconfundível voz de Iggy. O album virou um mito, ao mesmo tempo que Iggy se metamorfoseava de Stooge em Pop,e,embora Fields se refira ao disco como uma esquisitice comercial, The Stooges ajudou a preparar terreno para a explosão punk que viria depois.

MC5 - Kick Out The Jams (1969)



Os Motor City Five, que chegaram a ser capa da revista Rolling Stone, viviam como fugitivos da polícia em uma comunidade Hippie, fazendo um R&B malvado e psicodélico, no espírito de drogas, sexo e armas, Kick Out The Jams mostra uma noite típica de rock revolucionário desse grupo provocador, que consistia em barulho, frenesi e cosmic jazz. Gravado em seu habitat regular, o Grande Hotel Balroom, em Detroit, Kick out the jams avança no toca-discos num abandono desajeitado: as guitarras tocam fora do tom, os vocais sem refinamento se sobrepõem, as canções se embaralham no feedback - um caos glorioso. Os golpes não são desviados. A faixa-título abre com um convite:"kick out the jams, motherfuckers!". Do grito apache de "Rocket Reducer", passando pelo blues politizado de "Motor City´s Burning", até o insano tributo ao deus sol de "Starship", o ambiente é de uma manifestação de protesto prestes a pegar fogo. Foi um disco controverso. Uma velha raposa do rock, o lendário jornalista Lester Bangs, disse que o álbum era "ridículo, arrogante e pretensioso"e, em parte, quase convenceu o guitarrista Wayne Kramer. Quando a rede de lojas de discos Hudson´s se recusou a vender este disco "obsceno", a banda publicou anúncios que diziam "Foda-se, Hudson´s!". A Elektra lançou uma versão editada do album e logo desfez o contrato com o grupo. Mas isso não foi o fim dos MC5 - embora tenha sido o início do fim. Kick out the Jams continua sendo o seu testamento definitivo, um album que cheira a spray de pimenta e no qual se pode sentir o calor das faixas pegando fogo e o fervor da revolução.

Moby Grape - Moby Grape (1967)



A arrogancia da gravadora, as intrigas do mundo do rock e pura má sorte fizeram com que a estrela do Moby Grape ascendesse e caísse em apenas um ano. Mas seu álbum de estreia arrebentou. Skip Spence, um veterano do Jefferson Airplane (sua música "My Best Friend" está em Surrealist Pilow), e o ex-agente do grupo, Matthew Katz, reuniram um novo time de músicos em torno dessa genial dissidencia. Os quatro que encontraram (os guitarristas Jerry Miller e Peter Lewis, o baterista Don Stevenson e o baixista Bob Mosley) eram bons compositores e cantores harmoniosos, e esse pacote de dar água na boca logo fez barulho em São Francisco. Seu homônimo disco de estréia (que custou U$ 11 mil) parecia feito para lançar o Moby Grape como o próximo queridinho da América. A faixa de abertura, "Hey Grandma", ferve com harmonias em ebulição e guitarras estridentes. "Fall on You", um soco no estômago de autoria de Lewis, tem um vocal insolente, fluidos solos de guitarra e bateria bem marcada. Há o doce estilo espanhol acústico de "8.05", a efusiva "Come In the Morning" e a atordoante "Omaha",de Spence - as canções são revigorantes, otimistas e cheias de alegria. Como o Moby Grape poderia fracassar???? Para começar, a Columbia lançou cinco faixas como singles simultaneamente - matando as chances de subirem nas paradas. Três integrantes da banda foram presos por posse de maconha e ligações com meninas menores de idade. E Stevenson claramente mostrava o dedo médio para a camera na foto da capa (a Columbia percebeu e o gesto obsceno foi apagado posteriormente). Mas esqueça tudo isso - é um dos melhores discos de São Francisco.

The Monks - Black Monk Time (1966)




Gravado no final de 1965, Black Monk Time é um sério concorrente ao título de "primeiro album punk", e. por mais vazia e fútil que essa distinção pareça (afinal, o punk era um movimento contracultural mal-humorado e com um modelo típico, e esses caras eram exilados geopolíticos), o grupo certamente soa mais normal hoje do que em sua época. Embora os Monks nunca tenham tocado fora da Alemanha (uma das razões de terem se separado foi a relutância em fazer uma discutível turnê de veteranos do Vietnã - o que eles queriam realmente era tocar em sua terra natal, os EUA), o grupo de cinco ex-combatentes americanos, que se apresentavam vestidos como monges, de hábito e cabeça raspada, ganhou uma boa e merecida reputação em certos círculos, baseada quase inteiramente neste album excepcional (e numa breve junção na década de 90). No disco, o orgão e um banjo elétrico feito à mão se uniram aos tradicionais instrumentos do rock, tocados com precisão e raiva. Black Monk Time às vezes é hilariante, rouco, radical e esfuziante. A faixa de abertura, "Monk Time", é uma homenagem aos mutilados de guerra; "I Hate You" não estaria deslocada no filme cult dos anos 60 O Diabo é Meu Sócio. Outras faixas, como "Boys are you Boys and Girls are Girls" e "Drunken Maria", trazem referencias de folk teutônico bastardo - mas será uma lembrança emotiva, condenatória ou sisplesmente algo que foi se desbotando nesses pobres soldados desiludidos, tão longe de casa? A inscrição na capa, afinal, diz que os "Monks não acreditam em nada"[sic].

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Iron Butterfly - In-A-Gadda-Da-Vida (1968)






A segunda tentativa do Iron Butterfly foi o primeiro álbum a ganhar o disco de platina, por vender mais de um milhão de cópias. Embora as músicas psicodélicas do lado A sejam boas o bastante, o sucesso do LP se deve totalmente à faixa-título, um épico sem precedentes que ocupa todo o lado B. Formado em San Diego em 1966, o Iron Butterfly misturava hard rock com texturas elaboradas, mais próximas do acid. Eles gravaram o album de estréia como um quinteto, mas, quando o disco - intitulado, muito apropriadamente, Heavy - foi lançado, três integrantes já haviam saído. O cantor e tecladista Doug Ingle e o baterista Ron Bushy decidiram continuar e recrutaram o guitarrista Erik Brann, ainda adolescente, o baixista Lee Dorman. Certa vez, tarde da noite, Bushy voltou para a casa do trabalho - era chef de uma pizzaria - e descobriu que Ingle, filho de um organista da igreja, havia mamado uma garrafa de vinho e composto uma música nova. Bêbado demais para falar, Ingle balbuciou o título que Bushy anotou na forma como ouvira. Então, o que era "In the Garden of Eden" ficou conhecido como "In-a-gadda-da-vida". A música, concebida originalmente como uma balada, foi sendo mudada pela banda nas turnês, e acabou gravada como um leviatã lisérgico, composto por zumbidos de guitarra, um órgão místico e solos exploratórios de bateria. "In-a-gadda-da-vida" foi um enorme sucesso, bem adequado ao formato da nascente radio FM; uma versão editada em single, enfatizando o riff protometal da música e seus vocais enigmáticos, chegou a ocupar a lista das 30 mais, enquanto a versão completa dava tempo de o DJ ir ao banheiro. A canção foi regravada pelo titã do thrash, Slayer, sampleada pela estrela do hip-hop Nas e executada como um hino num episódio clássico de Os Simpsons, quando Bart vende a a alma para Milhouse.
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