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Território da Música: Artigos (Rock)

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Som Nosso de Cada Dia



O Som Nosso de Cada Dia foi fundado em 1972 pelo multi-instrumentista Manito (ex-Incríveis), pelo baixista Pedrão Baldanza (ex-Novos Baianos) e pelo baterista Pedrinho (velho colaborador de Manito em seu projeto solo). Após se reunirem para formar uma banda de baile, os três mudam de idéia e resolvem investir em um som mais ousado, menos convencional e com influências mais plurais, indo de Jimy Hendrix a Sun Ra, passando evidentemente por todos os ícones “nuggets” da época, como: Yes, Pink Floyd e Emerson, Lake & Palmer. Após seis meses de ensaio e centenas de ácidos na caixola, o grupo consolida um repertório e uma identidade, algo como a resultante de um encontro entre Rick Wakeman e Edu Lobo.Em seguida, Manito aceita um convite para substituir Arnaldo Baptista nos Mutantes, entretanto, por alguma razão acaba voltando atrás poucas semanas depois, a tempo de gravar o debut do Som Nosso: “Snegs”. O disco é um sucesso de público e crítica, sendo considerado até hoje, ao lado de “Tudo Foi Feito Pelo So” dos Mutantes, como um dos maiores clássicos do rock progressivo verde e amarelo.A boa repercussão do álbum resultou num convite para a abertura da turnê brasileira do Alice Cooper Group (vale lembrar que a tia Alice e seus antigos comparsas estavam em seu auge naquele momento), onde o trio tocou para uma platéia superior a 150 mil pessoas. Os shows do Som Nosso causaram tamanha catarse, que era possível ouvir o público ainda gritando pela banda durante as apresentações de Alice Cooper.Após a participação no Festival de Águas Claras, Manito deixa novamente o grupo, levando os integrantes remanescentes a incorporar, com sucesso, outros elementos à formação, como metais e mais duas guitarras.Em 1977 o grupo lança seu segundo álbum, Sábado/Domingo, fortemente marcado por influências de funk e soul trazidas por Pedrinho. Apesar de tocado com certa freqüência nas rádios, o trabalho não atinge o êxito comercial de seu antecessor, levando a banda a encerrar suas atividades um ano depois.Para os amigos , o blog disponibiliza os dois albuns , peça fundamental no acervo de qualquer fã de rock progressivo que se preze. O disco até hoje tem grande repercussão, inclusive em âmbito internacional, no circulo de cultuadores do estilo. Em 1994 os integrantes da formação original se reuniram pela última vez para celebrar os 20 anos de lançamento do álbum. O resultado foi uma versão caleidoscópica para a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, colocada como faixa bônus da edição comemorativa.Recomendados apenas para mentes abertas e corações calejados. Quem não aguentar vá beber leite. Uhahuahuehuhuehuahueuhhuauhe!!!!

Discografia:Snegs - 1974 - Continental / PRW - 1993

Som Nosso (sábado/domingo) - 1977 - CBS

Formação
· Manito
· Pedro Baldanza
· Pedrinho
Outros
· Tuca
· Marcinha
· Egidio Conde
· Dino Vicente
· Paulinho Foguete

Moto Perpétuo


Banda brasileira dos anos 70, o Moto Perpétuo inclui em sua formação o ex-Bando Burani e o futuro astro pop Guilherme Arantes. Há certa controvérsia quanto à discografia do grupo: apenas um LP (o de 1974) é conhecido do público como oficial, alguns apontam mais outros dois discos um de 69 e outro de 71, mas tenhamos como pura especulação. O grupo, após 1974, parece não ter ido muito longe. Apesar da ida de Conde para o "Som Nosso de Cada Dia" e do início de da carreira solo de Arantes em 1976, com um LP homônimo pela Som Livre.

Formação:
Guilherme Arantes - teclados e vocal

Egydio Conde - guitarra e voz

Diógenes Burani - percussão e voz

Gerson Tatini - contrabaixo e voz

Claudio Lucci - violão, violoncelo, guitarra e vocal

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Chico Buarque - Construção (1971)


Construção foi o quinto album de Chico Buarque para a Philips. É um trabalho que se tornou um clássico e um marco de referência desse cantor de importância maior na musica brasileira e mundial. Quase todas as músicas que compõem este disco fizeram sucesso. Buarque aparece aqui num ambiente acústico. A orquestração do album foi influenciada por Rogério Duprat. Logo no início, o LP mergulha fundo nos ritmos tradicionais brasileiros, em canções que, implicitamente, criticam o regime político ditatorial do país ("Deus lhe Pague" e a música-título, "Construção"). Como é comum na obra desse inigualável contador de histórias, ele realça os detalhes do dia-a-dia característicos e definidores das relações humanas (e da condição humana - como em Ópera do Malandro)em Cotidiano que fala da rotina da relação entre um homem e um mulher. As tres faixas seguintes, Olha Maria, Samba de Orly e Valsinha, são parcerias com outros grandes letristas e compositores da música brasileira - Tom Jobim, Vínicius de Moraes e Toquinho ("Samba de Orly faz referencia ao aeroporto frances e a Paris, que se tornaram familiares para os brasileiros exilados). Outro destaque é Valsinha, uma canção de amor de dois minutos que permaneceu nos ouvidos e no coração do publico internacional. Um disco obrigatorio.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tim Maia - Tim Maia (1970)


O lançamento desse disco marcou o ano zero da musica black no Brasil. Com seu album de estreia, aos 28 anos, Sebastião Rodrigues Maia abria um novo caminho para nossa musica. Se João Gilberto havia adicionado elementos jazzisticos ao samba criando a bossa nova, Tim incorporava o soul dos negros americanos. E fazia isso de maneira tão natural, brasileira e popular que a identificação de seu som com o grande publico foi imediata e definitiva. É verdade que a Jovem Guarda já flertava com o balanço dos hitmakers da gravadora Motown e o proprio rei Roberto Carlos gravou em 68 "Não Vou Ficar", o primeiro grande sucesso de Tim Maia como compositor. Porém, dois anos mais se passariam para que o país inteiro descobrisse que, além de ter muitos outros clássicos na cabeça, o cara cantava como ninguém jamais tinha conseguido deste lado do hemisfério e sabia exatamente como nivelar a música brasileira com o que havia de mais legal na época em matéria de soul. Onze anos antes, Tim fizera um "estágio" nos EUA. Com apenas 17 anos, preto e pobre, já era maluco o suficiente para se mandar para lá em plena barra pesada dos tempos pré-Martin Luther King. Isso no exato momento em que a derivação do rhythm´m´blues, que seria conhecida como soul music, começava a definir seus contornos. Ficou por lá até "ser convidado" a se retirar da festa pelas autoridades americanas (ele desabafaria em "Meu País", de 71: "Sim, bem sei que aprendi muito no seu país/Justo no seu país/Porém, no meu país senti tudo que quis"). Mas foi por aqui que ele encontrou os elementos que tornariam a música que fazia tão rica e particular, como ficava comprovado no seu primeiro album. Com o paraibano Genival Cassiano compôs "Padre Cícero", uma irresistível mistura de forró e soul em homenagem ao preacher de Juazeiro. Essa feliz experiência genética teve seu ponto alto em "Coroné Antonio Bento" (Luiz Wanderley/João do Valle), onde a atuação vocal alucinada de Tim fazia a gente acreditar que Memphis ficava em pleno sertão de Pernambuco. Aliás, a participação de Cassiano - o outro grande arquiteto do soul no Brasil - foi fundamental no disco. São dele "Voce fingiu", a sensível "Eu amo voce" e o hit "Primavera" (as duas ultimas em parceria com Silvio Rochael). E se o mundo todo pudesse ouvi-lo, ele ainda tinha muito para contar: em meio ao belíssimo arranjo de cordas em "Azul da Cor do Mar", Tim tocou no nervo do dente da paixão latina ("...um nasce para sofrer/enquanto outro ri"). Desde então, poucos artistas tem convencido como ele, ao cantar a dor do homem espezinhado pela mulher ingrata. Mais de três décadas depois, o disco ainda impressiona pela riqueza das melodias e dos arranjos, alem da atualidade sonora de faixas como "Cristina" (uma aula de como tirar a musica da alma) e "Flamengo". Antes de sacramentar o samba-soul de "Réu Confesso" e "Gostava tanto de Você" em 73, Tim lançaria mais dois albuns pródigos em gerar sucessos, todos pela atual PolyGram - a mesma gravadora para onde fora levado os Mutantes. Esse disco bem que mereceria um relançamento na íntegra de fundamental ciclo de sua carreira em CD. Esse disco é obrigatório!!!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Gilberto Gil e Jorge Ben Jor - Gil & Jorge - Ogum Xangô (1975)



Gravado depois de um breve ensaio e com apenas dois violões (e um percussionista) no acompanhamento, Gil & Jorge foca os talentos individuais de Gilberto Gil e Jorge Ben Jor como músicos, vocalistas, interpretes e improvisadores. o disco é uma prova de que eles estão mais do que habilitados pra realizar a tarefa. As nove faixas, todas bem longas (o album foi originalmente pensado como duplo), mostram Gil e Ben interagindo em um nivel tão esplendido, e com tamanha empatia, que chegam a criar linhas musicais que se repetem várias vezes. As faixas mais notáveis - "Nega", "Taj Mahal" e "Meu Glorioso São Cristovão" - são extraordinariamente rítmicas e possuem as características contagiantes e tradicionais da musica popular brasileira. É quase uma hora e meia passada de forma idílica.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Jorge Ben - Africa/Brasil (1976)


É impossível exagerar a influência de Jorge Ben na heterogênea confederação internacional do funk. Quando fez seu manifesto soul do Rio, África/Brasil, Ben já era uma força musical há mais de uma década, mas esta combinação de percussão de samba, metais R&B, um coro atrevido e uma rhythm guitar hipnótica destila a essência do ritmo de Ben. O álbum abre arrasador com a incendiária "Umbabarauma", que David Byrne usou para dar o pontapé inicial em sua antologia Música Popular Brasil. A brilhante mistura feita por Jorge Ben de Sly Stone e James Brown com os ritmos profundos do samba se dá de forma perfeita em "Xica da Silva", enquanto o refrão absurdamente contagiante da versão atualizada de Taj Mahal torna claro porque Rod Stewart o copiou em seu hit "Do Ya Think I'm Sexy". Ben começou sua carreira tocando bossa nova, seguindo os passos de João Gilberto. Ele emplacou um grande sucesso internacional em 1963, com "Mas Que Nada", mas sua música atingiu seu auge criativo nos anos 70, quando integrou completamente a influência do funk americano e do R&B com a percussão pesada e sincopada dos ritmos afro-brasileiros. Seu poderoso trabalho no violão, a voz quente e íntima e a genialidade da produção resultaram numa série de álbuns excepcionais, culminando com África/Brasil. Embora não tenha sido uma figura central do movimento tropicalista do final dos anos 60, que juntou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa, a exploração dos temas africanos feita por Ben serviu de inspiração para muitos artistas brasileiros.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Milton Nascimento e Lô Borges - Clube da Esquina (1972)


Se Clube da Esquina fosse apenas a resposta brasileira a Sgt. Pepper..., já se destacaria como uma importante contribuição ao pop internacional. Mas esta magnifica coleçaõ de canções, lançada originalmente como um album duplo, também transformou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta em artistas de sucesso pelo próprio talento. Embora Milton Nascimento - um cantor carismático com um falsete puro e cheio de espiritualidade - seja o centro de gravidade do album, ele ainda não era uma grande estrela, e ...Esquina é muito mais um trabalhho de grupo, co-creditado também a Borges. O disco mistura sons oníricos, letras surrealistas e uma ampla variedade de influencias sul-americanas. É um marco da musica popular que abriu as portas da criação para outros artistas. O clube da esquina era um grupo de amigos de Belo Horizonte (MG). Eles passaram 6 meses, em 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói, compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O album contém uma série de classicos, como "Cravo e Canela" e "Nada será como antes". A influência dos Beatles é particularmente forte no "Rock Mineiro" de Lô Borges, em faixas como "O trem azul" e "Nuvem cigana", músicas delicadas, cheios de encanto e sutilezas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Mutantes no Estúdio: Liberdade Total



Há que ser dito: os Mutantes sempre puderam gozar da liberdade de fazer o que bem entendessem dentro dos estudios de gravação. Manoel Barenbein, produtor dos dois primeiros LP´s, lembra: "Era uma loucura. A parte musical era dirigida pelo Arnaldo, e rolavam mil idéias". E cita exemplos. O que se ouve parecido com o som de um chimbau invertido em "Le Premier Bonheur Du JOur" (faixa do primeiro LP) é o ruído de uma bomba flit (aquela usada antigamente para vaporizar inseticidas). Na gravação de "Bat Macumba" eles incluiram na mixagem uma das falas da Rita, tipo "Manoel, me um Kri-Kri" (uma marca de chocolate da época), gravadas acidentalmente. E para a gravação de "Panis at Circensis" foram convocados vários funcionários do estúdio, inclusive o proprio Barenbein, para que fizessem ruídos de mesa de jantar, com falas do tipo "me passa a salada", ruídos de talheres etc. Os primeiros LP´s foram gravados em quatro canais. Através do método de redução, eles conseguiam adicionar orquestra, percussao e vozes, bem no esquema Sgt. Peppers dos Beatles. Só que a maioria dos efeitos eram "criados" no estudio. Claudio Cesar Baptista, irmão mais velho de Arnaldo e Serginho, foi responsável pela invenção da maioria deles, como, por exemplo, um engenho que unia motor de maquina de costura e "tremolos" (efeitos que variam graves e agudos) para criar sons semelhantes aos de uma moto. E para a gravação de vozes "diferentes", Claudio bolou uma serie de truques, como a utilização de fones de ouvido ligados em caixas Leslie, ou microfones ligados a efeitos sintetizadores. Nas capas dos LPs dos Mutantes faltam muitos creditos importantes. O baterista do primeiro LP (que é o unico em quem Dinho não toca) é um tal de Dirceu, baiano, musico de estúdio. No mesmo LP Jorge Ben canta em "A minha menina". A dupla caipira que toca e canta com os Mutantes em "2001" do segundo LP, não é citada e ninguem (das pessoas envolvidas na produção do disco) se lembra do nome deles (aliás, os fão provalvelmente sequer desconfiavam que aquela entrada "caipira" em 2001, nao foi feita pelos Mutantes). E, ainda no mesmo LP, Liminha toca viola na faixa "Mágica" (ele ainda não era integrante do grupo). No LP A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, outro esquecimento importante: quem toca conga em "Ando Meio Desligado" e "Meu refrigerador não funciona" é Naná Vasconcelos (a gravação foi feita pouco antes dele viajar para a Europa).

Os Mutantes - Os Mutantes (1968)


Para o resto do mundo, o Brasil significava futebol, belos corpos e bossa nova. A frase "ditatura militar repressora" aparecia em poucos guias turísticos. A chegada dos hippies no verão de 67 trouxe a contracultura para o foco das atenções, com resultados devastadores. Liderados por jovens compositores como Gilberto Gil, Caetano Veloso, os tropicalistas pegaram tudo o que tinham ouvido em Londres e São Francisco e fizeram a coisa do seu jeito. A direita odiou seus cabelos, sua moralidade e as drogas; a esquerda detestou como eles corromperam a musica brasileira de raiz. Os Mutantes flutuavam nesse redemoinho - Rita Lee e os 3 irmão Baptista (apenas dois apareciam no palco). Quer saber de uma esquisitice? Dois minutos depois de começar a faixa de abertura, "Panis at Circensis", o toca-discos parece diminuir a rotação e parar. Quando a pessoas levanta para ver o que aconteceu, o aparelho volta a vida. E, quando senta novamente, a musica termina com os ruídos da banda fazendo uma refeição - uma sonoplastia da sala de jantar mencionada na letra. A iluminada "Minha Menina" vem a seguir, com as guitarras distorcidas e efeitos eletronicos feitos a mão pelo terceiro irmão Baptista. Parece um pop perfeito para ser tocado em Copacabana, mas o hippies estavam sendo fisicamente atacados de todos os lados. Em 1968, o governo brasileiro adotou o estado de exceção. Gilberto Gil e Caetano Veloso se exilaram; o tropicalismo evaporou. Os Mutantes, claramente incapazes de liderar qualquer revoulução, continuaram e, na verdade, cresceram em popularidade no inicio dos anos 70. Devem ser lembrados pela insana Bat Macumba ( o samba "Tomorrow Never Knows") e "Baby" (uma "Eleanor Rigby" erótica).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)



A década de 60 acabou seis meses antes, nas noites de 20 e 21 de julho, no Teatro Castro Alves, em Salvador, no show de despedida deCaetano Veloso e Gilberto Gil. Na platéia, do poeta Augusto de Campos a inúmeros órfãos. No palco, Gil, Caetano e o grupoOs Lief´s (Pepeu, Lico, Carlinhos e Jorginho). O show-réquiem dava o sinal: A Navilouca antropófago-tropicalista devia seguir.

Os Novos Baianos surgem, num batismo de fogo, nestas noites negras. O cantor, compositor e violonista Moraes Moreira, o poeta-agrônomoGalvão, o crooner de baile Paulinho Boca de Cantor e a cantora Baby Consuelo, inicialmente acompanhados dos Lief´s, seguem transformandocinzas em melodias. Desclassificação em festival, shows-happenings, um LP e dois compactos serviriam de ensaio geral.

Em 1972, já ocupando um apart-tribo no Rio, os NB gestavam um manifesto. Uma ilustre visita daria o toque final, a do mago João Gilberto.João abre seu baú de canções dos anos 30 e 40 e se mistura ao rockarnaval dos Novos Baianos.O LP Acabou Chorare, primeiro lançamento da gravadora Som Livre, seria a síntese desta viagem hard-pós-tropicália-João Gilberto.

O título sairia de um brinde-balbucio de bebê, que Bebel Gilberto - née Isabel - , filha de JG e Miúcha, sussurraria nas jams.

O samba-batucada "Brasil Pandeiro", de Assis Valente, lançado em 1940, por um dos mitos de João, o grupo Anjos do Inferno, abre o disco.O grande Hit "Preta Pretinha", uma colagem cinematográfica saída de algum alto-falante do interior, serve de abre-alas e da passagem a "Tininho Trincando", uma bossa-baião-hard com texto mínimo e onomatopéico, que Baby pulveriza sobre A Cor do Som, isto é, Pepeu,Dadi, Jorginho e Baixinho, a parte elétrica dos NB.

"Swing de Campo Grande" e "Acabou Chorare", entregue à parte acústica nos NB, fecham o lado A, zanzando entre o batuque e seresta-bossa."O Mistério do Planeta", na voz de Paulinho, relê uma velha canção do grupo Míni Planeta Íris, o texto confessional dá um grito de basta na barra lúcifer da época. A canção seguinte, na voz de Baby, "A Menina Dança", continua o desnudar de barras: "...só entro no jogo / porque estou /estou mesmo depois / depois de esgotar / o tempo regulamentar..."

"Besta é Tu", com Moraes , em ironia máxima ("...não viver este/ se não há outro mundo..."), transpirava, naquele negro tempo, uma linguagemcifrada, pela sua desconcertante simplicidade carnavalesca. "Um bilhete para Didi", única música instrumental, serve de territorio pra A Cor do Somdar seu vôo. Uma versão de "Preta Pretinha", fecha o disco, sendo que, no show, "Preta Pretinha" entra em um pout-pourri-bricolagem com "29 Beijos", do primeiro compacto e "Oba-lá-lá", bossa baião de e do antológico primeiro disco de JG. Era a proposta sintetizada em som e cena.

Acabou Chorare, além da síntese sonora - Jimi Hendrix empunhando um cavaquinho (por sinal, presente de Paulinho da Viola a Pepeu) e JG, umaguitarra distorcida -, traz, em sua primeira edição (em 1984, foi relançado com capa simples), uma das mais interessantes e surpreendentes capas.Um texto de Augusto de Campos dá o tom, outro de Galvão explica a antifamília NB e várias fotos quebram os olhos dos censores. Na contracapa,uma superposição: um NB e um dos filhos da troupe fumam o mesmo "baseado", como se ilustrassem, em silêncio, o projeto obra-viagem do grupo.

Barras se sucederam a barras.

Acabou Chorare, em som, imagem e silêncio, foi um de seus melhores closes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O Terço








Um dos mais importantes grupos brasileiros do rock anos 70, o Terço nasce com a seguinte formação: Hinds (guitarra), César das Mercês (baixo) e Vinícius Cantuária (bateria). Em 1970, com a substituição de Mercês por Jorge Amiden, o grupo lança seu primeiro LP (rock tipo anos 50, 60 com leves tintas progressivas). O segundo trabalho, também homônimo, traz uma sonoridade mais progressiva e é, talvez o disco mais homogêneo de toda sua carreira.Dois anos depois, em 1975, seria lançado o LP que consagraria definitivamente a banda, formada então por Hinds, Magrão, Moreno e Flávio Venturini. "Criaturas da Noite" (que recebe, anos depois, uma versão em inglês entitulada "Shining days, summer nights") viraria hit nacional, vendendo centenas de cópias de milhares de cópias e presenteando o público com uma das obras-primas do progressivo brasileiro, a faixa "1974".O Terço segue estrada, lançando, no ano seguinte, "Casa Encantada" (com participação na flauta e vocal, de Mercês), que também consegue boas vendagens. Esses dois álbuns seriam relançados em CD, na Itália, pela Vinyl Magic. Os trabalhos seguintes da banda, após a saída de Venturini (que funda o 14 Bis, com o qual grava 8 Lps e inicia carreira-solo...), seriam decepcionantes para os amantes do progressivo. "Mudança de tempo", "Som mais puro", "O Terço"...Os fãs tem que esperar muitos anos até 1993, quando uma nova banda, formada por Hinds, Franklin Paolillo (bateria), Luiz de Boni (teclados) e Andrei Ivanovic (baixo), lança "Time Travellers", CD de progressivo sinfônico que, apesar de não ter nada a ver com os trabalhos consagrados do grupo, pelo menos resgata algo do estilo para os velhos seguidores. O grupo, em 1993, abriria o show do Marillion no Brasil com músicas do novo trabalho. Um ao vivo, pela Movieplay, seria publicado em 1994, apresentando o Terço junto a uma orquestra sinfônica." (ERP)
RPB: Em 1994, A Record Runner lançaria o mesmo disco ao vivo com orquestra com duas faixas extras também ao vivo. Em 1996, pelo selo Velas de Ivan Lins, sairia o disco "Compositores", onde a banda (reduzida a um trio Hinds, De Boni e Fernando Fernandes (baixo)) interpreta composições inéditas de músicos como Ivan Lins, Arnaldo Antunes, Vinícius Cantuária, Flávio Venturini, Lula Barbosa entre outros, mas também com músicas de Hinds e De Boni, entre elas uma bastante controversa: os riffs iniciais da guitarra de "Poeira" são idênticos à música da banda inglesa Arena "Midas Vision", do CD "Songs from the Lion's Cage", de 1995. Creio que nem a própria banda sabe disso.Em 2000 a banda se apresenta no Rio Art Rock Festival, no Rio de Janeiro com um show curto mas aclamado como um dos melhores do evento.Em 2001/2002, a banda ensaia uma volta com a formação clássica do disco Criaturas da Noite. Alguns ensaios chegam a se realizar mas a morte repentina de Moreno adia o projeto momentâneamente.
Músicos:Sérgio Hinds - guitarra, viola e vocalSérgio


Magrão - baixo e vocalLuiz Moreno - percussão e vocal


Flávio Venturini - piano, teclados, viola e vocal




Discografia:
O Terço - 1970 - Forma
O Terço - 1971 - ContinentalCriaturas da noite - 1975 - Underground / 1993 - Vinyl Magic
Casa encantada - 1976 - Underground / 1993 - Vinyl Magic
Mudança de tempo - 1978 - Underground
Som mais puro - 1982 - WEA
O Terço - 1990
Time Travellers - 1993 - Record Runner
Live at Palace - 1994 - Movieplay
Live at Palace with Orchestra - Record Runner - 1994
Compositores - 1996 - Velas
Spiral Words - 1998Dois em Um: Criaturas da Noite/Casa Encantanda - 2001
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