Cidade Web Rock - Promoção

Território da Música: Artigos (Rock)

Mostrando postagens com marcador Anos 70. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anos 70. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Mott The Hoople - Mott (1973)


A quimica entre o vocalista do Mott The Hoople, Ian Hunter, e o guitarrista do grupo, Mick Ralphs, ameaçou desandar durante a gravação de Mott - o unico album da banda a entrar na lista dos 10 mais da Inglaterra - em 1973, Hunter tinha, antes, se juntado à pequena banda
de Ralphs, Silence, como tecladista, mas acabou exercendo um papel mais importante como cantor e compositor, depois do lançamento do hit "All the Young Dudes", produzido por David Bowie.

No primeiro single, "Honaloochie Boogie", o grupo cresceu com a participação de um violoncelo e do saxofone de Andy Mackay (o Roxy Music estava gravando For You Pleasure ao lado da banda no Air Studios, em Londres, e Mackay, parece, estava louco para entrar no Mott). A faixa de abertura, "All the Way From Memphis", continua sendo um dos melhores momentos de Hunter. Brian May do Queen - que foi a banda de apoio do Mott na turnê pelos EUA -, se lembra da apresentação dessa musica em Memphis como "um grande momento de reconhecimento à primeira capital do rock branco".

O Mott the Hoople não esqueceu seu lado mais selvagem, mesmo quando Bowie orientou a banda a deixar essa vertente temporariamente de lado, e "Violence" colocou em evidencia sua rudeza pré-punk. Ralphs teve seu momento solo de glória na faixa "I'm A Cadillac", seguida pela
instrumental "El Camino Dolo Roso", na qual se destaca a slide guitar.

Para Ian Hunter, Mott foi "o album mais completo que fizemos, mas ficou marcado pela tragédia, porque Ralphs estava saindo". Hunter tinha, agora, os holofotes só para si, mas havia perdido sua alma gêmea. Ele procurou outro parceiro à altura em Mick Ronson, mas nunca superou Mott.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Bad Company - Bad Company (1974)


Enquanto a Turquia se preparava pra invadir Chipre, em meados de 1974, Peter Grant, o empresário do Led Zeppelin, lançava seu próprio exército: Paul Rodgers (voz) e Simon Kirke (bateria), ex-integrantes do Free; Mick Ralphs, que foi guitarrista do Mott The Hoople; e o ex-King Crimson Boz Burrel (o 16º baixista testado para ocupar uma vaga no grupo).

Muito antes do Queen se tornar famoso, Rodgers - que mais tarde tocou com a banda - já era um astro do rock´roll (conhecido também por seu acordeão) e havia grande expectativa sobre sua primeira aparição depois da saída do Free. Ele não decepcionou.

Rodgers e Ralphs formaram o Bad Company - o nome foi inspirado no western Má Companhia, de 1972, estrelado por Jeff Bridges - depois de terem se encontrado em turnês e jams. O Led Zeppelin adotou os dois e os contratou para seu selo próprio, Swan Song. Bad Company foi feito num intervalo na agenda de gravações do Zeppelin, em novembro de 1973, no estúdio de Ronnie Lane, em Headley Grange.

O album, que chegou ao terceiro lugar nas paradas americanas, capta uma energia movida a altas doses de cocaína, num som que segue um modelo do Cream de Hendrix, juntando soul e country. O disco traz maravilhas como "Can´t Get Enough...", a comovente "Movin On", a suplicante "Ready For Love" e a balada "Seagull". Bad Company contou com o trabalho do engenheiro de som Roy Nevison, que mais tarde se tornou produtor. A bateria de Kirke foi posta num corredor para a gravação e os vocais da faixa-titulo foram feitos a noite, para criar o clima, num terreno das vizinhanças. Como lembra Rodgers, "álcool e drogas" eram o verdadeiro combustivel da banda, mas Bad Company é um exemplo perfeito do blues rock alto astral. Steve Clarke, da revista NME, se entusiasmou: "Tudo o que eles tocam vira "ouro". Ele poderia ter dito platina, também.

ZZ Top - Tres Hombres (1973)


Tres Hombres marcou a entrada do ZZ Top no clube dos grandes como uma das melhores bandas dos EUA. Os críticos sempre vão ter dificuldade em dizer qual foi a melhor época do ZZ - os anos 70, quando fazia um blues rock absoluto, ou os anos 80 e 90, com seu pulsante blues disco. O que está fora de discussão é que suas raízes texanas eram totalmente inseparáveis do seu som sujo e obsceno.

Tres Hombres é uma mostra do que há de magnifico no grupo - e a inclusão do grande sucesso "La Grange" não é tudo. De fato, "La Grange" - construída em cima de um riff tão simples e, ao mesmo tempo, tão inspirado que não é possível esquecê-lo - é um trabalho atípico da banda, com murmúrios no vocal que eram uma novidade. "Preciou And Grace" - a história de duas mulheres que pedem carona e, depois, se revelam ex-presidiárias - mistura um belo riff no estilo do Led Zeppelin com um refrão enérgico e quase psicodélico. As duas faixas vêm juntas num encaixe perfeito. "Move Me On Down The Line" é um boogie que parece inspirado em Jack Bruce, em sua fase pós-Cream. "Jesus Just Left Chicago" é outra joia que flui sem esforço. A incrível "Master Of Sparks" fala de uma tradição do Texas, a de colocar os amigos na traseira de uma caminhonete, a toda velocidade, por toda pura diversão.

A capa do álbum diz tudo, embora as fotos de perfil dos três rapazes escondam o fato de que eles tinham apenas pouco mais de 20 anos.

Alice Cooper - School´s Out (1972)


Quando chegou a Los Angeles, vinda de Tucson, Arizona, a banda de Alice Cooper criou uma imagem controvertida e foi contratada pelo selo de Frank Zappa, Straight.Dois mal-afamados albuns de pandemomio psicodélico depois, o grupo se mudou para Detroit e ficou amigo dos Stooges, para quem o rugido da cidade dos automóveis era tão vital em sua evolução quanto a produção de Bob Ezrin.

Quando a Warner comprou a Straight, a banda de Alice Cooper foi pressionada a fazer um novo disco. Depois de dois LPs de hard rock e alguns sucessos em singles, produzidos por Ezrin, Cooper e seu grupo encontraram o seu som e reforçaram sua popularidade, fazendo, em seus shows para multidões, uma performance bizarra, como se fossem bufões do Grand Guignol.

O impacto visual de Alice Cooper foi completamente transferido para o vinil em School´s Out, o album precedido pelo single homonimo de grande sucesso. Foi seu single mais popular até então - uma rebelião descrita por riffs mortais e slogans revoltados, que se tornou um hino do punk rock para qualquer adolescente constestador do inicio dos anos 70. A banda - guiada pela voz depravada de Cooper e o pop cruel do guitarrista Michael Bruce - trabalhou duro com Ezrin num album conceitual, inspirado no musical Amor, Sublime Amor. Esta fantasia criativa sobre a delinquencia juvenil trazia suntuosos arranjos no elilo das big bands de jazz ("Gutter Cat Vs. The Jet"", "Grand Finale", "BlueTurk") e operístico ("My Stars"), imitação do Beatles ("Alma Mater"), além de rocks maravilhosos ("Luney Tune" e "Public Animal Nº 9"). O rock vaudeville de Alice Cooper, superproduzido mas, ainda assim, um perfeito épico adolescente, seria a referencia para artistas como Marylin Manson e Turbonegro.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Genesis - The Lamb Lies Down On Broadway (1974)


Embora 1974 possa ser visto como o ano do apogeu dos excessos do rock progressivo, este album é sombrio e frágil, com uma instrumentação frugal. Gravado na zona rural do País de Gales numa época difícil para o Genesis - os vocais de Peter Gabriel foram registrados à parte, no Island Studios, em Londres -, o disco, na verdade, mostra o grupo em sua melhor forma.

Gabriel, naqueles tempos, era considerado um compositor sério e tomou para si a tarefa de escrever um Pilgrim´s Progress (O Peregrino) moderno. A obra conta a história de Rael, um punk de rua porto-riquenho que se veste todo de couro. Um dia ele vê um cordeiro - isso mesmo - deitado em plena Broadway. Pode-se questionar se alguem, inclusive Gabriel, entendeu a história, mas o album duplo contém sua letras mais consistentes e a performance instrumental mais expressiva da banda.

"Back In NYC", mais tarde revisitada por Jeff Bucley em suas últimas gravações, é um anuncio do punk; "In the Cage", com oito minutos, marca o climax do album, assim como "Supper´s Ready"; "Carpet Crawlers" foi outro hino do grupo; e "The Chamber Of 32 Doors" permite que Gabriel libere a soul music na qual havia mergulhado quando era adolescente.

O album, que tem uma capa limpa e moderna, foi finalmente lançado, sob aplauso geral, em 1974. É um disco de vocalista, o que explica por que os musicos o odiaram e pro que Gabriel o adorou. É claro que ele não teria mais tanta liberdade no Genesis e, ao final da exaustiva turnê mundial para a divulgação do album, Gabriel deixou o grupo.

Pink Floyd - The Dark Side of The Moon (1973)


Solos de guitarra de acid blues. Letras que falam de desgraças e guerras. Um título espacial. Lançado em 1973 por um grupo de anônimos, mas de grande influência.

Esta é a descrição de Cosmic Slop, do Funkadelic. Não tem nada a ver com The Dark Side of The Moon, exceto pelo fato de que ambos são a trilha sonora de uma era de cinismo, quando o caso Watergate e a Guerra do Vietnã mataram o que havia sobrado do espírito dos anos 60 depois do Altamont.

Esta obra de época teve, porém, um início banal. Ansiosa para se desprender dos grilhões psicodélicos, a banda se reuniu na cozinha do baterista Nick Mason para fazer uma lista das coisas que a incomodavam. Essas preocupações - tempo, dinheiro, loucura, morte - foram combinadas com musicas no estilo meio funk rock de Obscured By Clouds e apresentadas numa turnê, durante um ano, com o nome de Eclipse (A Place For Assorted Lunatics). Salpicada pelo pozinho mágico dos estúdios - vocais gospel, solos explosivos, efeitos sonoros -, Eclipse virou The Dark Side of The Moon. Na esteira da fama angariada pela banda nas apresentações ao vivo, o album vendeu um milhão de copias nos EUA e foi para a estratosfera quando a Capitol, associada à Harvest, transformou "Money" num raro hit do Floyd em single.

Hoje o album pode ser encontrado em edições comemorativas e já foi regravado por um grupo de reggae de paródias (Dub Side of The Moon, de 2003) e pelo Phish. Quando a capa é aberta, surge um prisma que reflete um raio de luz, de forma infinita. Uma das imagens míticas do rock, o prisma evoca tanto o lendário show do Floyd quanto a ambição "exagerada" das letras.

Com essa carga simbolica, podia se esperar que o album fosse uma chatice. Mas, na verdade, é uma coleção de canções brilhantes, melodiosas e vibrantes. Para os iniciantes em Pink Floyd, esse é o primeiro passo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

The Clash - London Calling (1979)


O Clash pode ser acusado de ter diluido o punk rock em
digressões estilisticas e de discursar sobre politica sem realmente
saber nada sobre isso, mas, um quarto de seculo depois do lançamento de
sua obra-prima, London Calling, o album continua sendo o que melhor
ofereceu uma saída vital para o solipsismo do punk.

London Calling foi o testamento definitivo do Clash, depois do manifesto punk de seu primeiro album e do agrado ao publico americano de Give'Em Enough Rope. A parceria entre Joe Strummer e Mick Jones abarcava agora outras influencias, alem do punk e do reggae, como o
rockabilly ("Brand New Cadillac"), o pop ("Lost In the Supermarket") e o R&B ("I´m Not Down"), enquanto Simonon oferecia o hino dark "Guns of Brixton". "Spanish Bombs" era um protesto politico genuíno; a faixa-titulo, com sua linha de baixo galopante, a guitarra cortante e o
vocal gutural, garantiu a banda seu maior sucesso em single ate então.

Mas o que faz o amalgama do disco é a produção firme de Guy Stevens. Um empreendedor genial da industria do disco desde o final dos anos 60, Stevens tinha caído em desgraça em meados da decada de 70, mas seu entusiasmo fez a banda deixar de lado sua postura intimidatoria e ele conseguiu extrair o melhor dela.

A capa faz uma referencia consciente a do primeiro album de Elvis, embora a foto, feita por Pennie Smith, de Simonon prestes a esmagar o baixo, seja punk puro. Este é um daqueles raros discos que tanto definem sua época como mostram seus criadores no auge de seu talento.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Thin Lizzy - Live And Dangerous (1978)


Na mesma época em que Israel retirou todos os seus soldados do Líbano, em junho de 1978, o Thin Lizzy usou todas as suas tropas para fazer um dos melhores albuns ao vivo da história da música. Os retoques no disco despertaram rumores críticos: o empresário Chris O´Donnell garantiu que a gravação era "75% ao vivo" e que os overdubs foram usados para corrigir os excessos do baixo de Phil Lynott e os backing vocals dos guitarristas Scott Gorhan e Brian Robertson. O produtor Tony Visconti disse a BBC Radio 1:"Apagamos tudo, menos a bateria(...) mesmo a platéia foi refeita, uma coisa um tanto desonesta(...) "Southbound" foi gravada durante uma passagem de som e acrescentei umas repetições de fitas com barulho da platéia".

Os fãs não se incomodaram. O resultado é mágico e os temores da Vertigo em lançar um caro album duplo se mostraram infundados - vendeu 60 mil copias na Inglaterra. Consta que foi gravado em Londres e Toronto, mas é na verdade, uma coletânea de melhores momentos.

Rocks melódicos e poderosos trazem memoráveis riffs e refrões, temperados por momentos comovedores. A enxurrada começa com "Jailbreak" e arrasta a furiosa "Emerald", a contagiante "Southbound" e a definitiva "Rosalie", até a deliciosa "Dancing In The Moonlight".

"Still In Love With You" é daquelas que a platéia acompanha acendendo os isqueiros; "Cowboy Song" é uma brincadeira com um fantástico efeito cascata; "Suicide", uma canção gloriosa que conta uma história. E há hinos: "The Boys Are Back In Town" e "The Rocker".
Como atestou a NME, "é uma carta de intenções quase perfeita do melhor hard rock da melhor banda de rock do mundo".

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Police - Reggata De Blanc (1979)


O primeiro disco do Police, Outlands D´Amour, apareceu no final de 1978 e incluiu tres singles de sucesso. Mas quando este segundo album com um nome em ingles pidgin - Reggata De Blanc significa "reggae branco" - surgiu no outono, logo disparou para o primeiro lugar da parada britanica e se tornou o segundo LP do Police a entrar, em 1979, nos Top 30 dos EUA.

A transformação do Police do punk de imitação que era, em 1977, para talvez, a maior banda de rock do mainstream, em 1983, foi notável. Reggata... originou os dois primeiros singles do grupo a chegar ao primeiro lugar das paradas americanas - "Walking On The Moon" e "Message In a Bottle" ("The Bed´s Too Big..." era a faixa principal do que ficou conhecido como "SixPack", um lançamento especial que tambem continha os cinco hits anteriores em single da banda pela A&M). Os dois singles representavam o tipo de new wave da banda, em que se destacavam os riffs economicos, mas cativantes de Andy Summers e a bateria agil de Stewart Copeland. O integrante-chave do trio, porém, era um ex-professor de Newcastle, Gordon Summer, mais conhecido como Sting - um dos melhores vocalistas do mundo, baixista e compositor. Copeland tinha tocado antes com o Curved Air e convidou o desconhecido Sting para o Police, que era empresariado por seu irmão, Miles. Summers, que havia se apresentado com o Zoot Money, Eric Burdon, Kevin Coyne e Kevin Ayers, entre outros, foi escolhido por Copeland e Sting quando os dois ouviram um single da banda na qual ele tocava, Strontium 90. Apesar do sucesso mundial, o equilibrio do poder dentro da banda sempre foi delicado.

O Police se separou em 1985 e Sting partiu para uma prolífica carreira solo.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Siouxsie And The Banshees - The Scream (1978)


The Scream fez a ponte entre o punk e o gótico, com uma musica que combina o carater do tipo "faça voce mesmo" do primeiro com o senso sombrio de drama do segundo. No final dos anos 70, o cabelo bem preto e espetado e a maquiagem pálida de Sioux a tornaram um ícone. Dessa forma, é surpreendente que não esteja na capa deste album, que traz imagens bonitas e misteriosas de nadadores anonimos debaixo d´agua.

A mensagem pode ser a de que o disco era um trabalho de toda a banda. Na faixa "Carcass", a interação bem azeitada entre o animado baixo de Steve Severin e o potente trabalho de bateria de Kenny Morris se destaca de forma até mais contundente do que o vocal vigoroso de Sioux. É uma musica tocada de maneira descomplicada e inteligente e executada com paixão.

"Helter Skelter", a unica faixa não original de The Scream, ganha uma leitura mais febril do que a dos Beatles; a guitarra agoniada de John McKay tem sua vitrine em "Metal Postcard (Mittageisen)". Os Banshees já tinham deixado para trás a raiva objetiva do punk para lidar com areas mais complexas, como o trauma psicologico (em "Suburban Relapse" e "Jigsaw Feeling").

Nas duas faixas finais, McKay pega o sax e adiciona um lamento adequado à mistura dos Banshees. O album se encerra com a dramatica "Switch", uma microepopeia de quase sete minutos, narrada, tanto na letra quanto na musica, como uma comovente novela.

The Scream era um atestado de elegancia desordenada de uma banda que, mais adiante, exploraria a desordem e uma elegante melancolia por toda uma carreira de sucesso.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sex Pistols - Never Mind The Bollocks Here´s the Sex Pistols (1977)


Numa década de convulsão social, a vetusta fachada da
Inglaterra dos anos 70 estava ruindo sob os altos índices de desemprego
e apatia. O país inteiro parecia estar de ressaca e o otimismo dos anos
60 era apenas uma lembrança distante. Nesse momento surgiu este album,
um chute entre as pernas tão literal quanto seu título. Quando os Pistols começaram a se apresentar em shows, perigava
a fama do grupo ser maior do que a musica. Essa sensação se tornou mais
intensa com a luminosa capa de Jamie Reid. Por conta da logomarca
simbólica e da expressão obscena estampada, muitas lojas se recusaram a
vender o disco e o caso chegou a ser levado para Justiça (acabou
anulado depois que Richard Branson chamou um professor de linguística
para testemunhar sobre as origens não-obscenas da palavra). A forma
quase eclipsou o conteúdo, mas os passos de marcha que iniciam
"Holidays in the Sun" foram um aviso maldoso de que, por trás do
projeto gráfico, havia um album que estava prestes a alterar a
percepção de musica, moda e atitude de toda uma geração. O disco traz a ferocidade de "Bodies", que levanta o tema do
aborto, e o riff simples, mas eficiente e devastador de Steve Jones em
"Pretty Vaccant", que deu esperança a todos os guitarristas inúteis do
mundo. "Anarchy in the U.K." é o grito mais famoso do album, mas "God
Save the Queen" se equivale como epicentro da raiva. Johnny Rotten
torce e esculpe cada nota no fomato de uma flecha de injúrias
diretamente apontada contra a realeza. Poucos momentos na musica
popular são comparaveis ao berro gutural de Rotten: "No future for
you". Os anos da infelicidade da juventude inglesa estão encapsulados
no album desde então.

The Clash - The Clash (1977)


Posto, muitas vezes - sem merecer -, em segundo plano em
relação aos Sex Pistols, o Clash fugiu do padrão autodestrutivo do punk
e optou por musicas com um aguçado conteúdo político, slogans atraentes
e roupas de vanguarda. A capa em verde, preto e branco traz Joe Strummer, Mick Jones e
Paul Simonon, numa foto tirada durante os ensaios em Londres, e combina
com a musica sem enfeites das 14 faixas deste seu primeiro album,
gravado em tres fins de semana, em 1977. O estilo gritado de cantar de
Strummer, quase incoerente, se encaixa à perfeição nas guitarras
intermintes de faixas como "I´m So Bored With the USA". O trabalho do Clash foi várias vezes tachado de panfletário,
mas a letra de "Career Opportunities" retrata, de forma brilhante, as
perspectivas da juventude: o trabalho humilhante ou o
seguro-desemprego. Uma das maiores qualidades da banda era sua
capacidade de absorver outros generos musicais. A versão de "Police and
Thieves", de Junior Murvin e Lee Perry, mostra o baixo de Simonon
sobreposto as guitarras, ao mesmo tempo que a bateria de Terry Chimes
(tambem conhecido como Tory Crimes, num trocadilho com o partido
conservador inglês) pontua a musica num ritmo rápido. Esse arranjo
causa impacto e reaparece em outros momentos do album. O Clash estava no meio de um caldeirão multicultural. Cercada
pelas influências do reggae, do ska e do rock tradicional, a banda
tinha uma leitura politica e musical muito mais ampla do que a visão
míope dos grupos punks da época. O estilo incendiário do Clash e seu gosto pela ação podem ser
ouvidos hoje em grupos como os Libertines, que tiveram seu segundo
album produzido por Mick Jones. O mundo dá voltas...

Ramones - Ramones (1976)


Da capa simples, com a foto da banda em preto-e-branco, a seu
conteudo incendiario, o primeiro album dos Ramones é o manifesto
definitivo do punk. Gravado em dois dias com o irrisorio orçamento de US$ 6 mil,
Ramones despiu o rock ate sobrarem apenas seus elementos básicos. Não
ha solos de guitarra e enormes fantasias épicas, o que ja era
revolucionario numa epoca em que imperava o hard rock cheio de
penduricalhos, do tipo Led Zeppelin. As faixas, de cerca de tres
minutos apenas, são impulsionadas pelos furiosos quatro acordes da
guitarra de Johnny Ramone e pela bateria colossal de Tommy. E, apesar
de as musicas serem curtas e afiadas, a paixão do grupo pelo rock dos
anos 50 e pelas bandas femininas garantiu uma certa doçura melódica. As letras são muito simples, tratando, em banho-maria, dos
desejos e necessidades dos adolescentes. Joey Ramone berra para dizer o
que quer ("I Wanna Be Your Boyfriend", "Now I Wanna Sniff Some Glue") e
o que não quer ("I Don´t Wanna Walk Around With You"). Apenas "53rd and
3rd" - toca em algo mais profundo e significativo. O álbum foi elogiado, no lançamento, por um pequeno circulo de
jornalistas (a revista Creem publicou que "se os sucessores dos Ramones
valerem pelo menos um terço deles, estamos feitos para o resto da
vida"), mas não conseguiu entrar nos Top 100 dos EUA nem entre os 40
Mais da Inglaterra. Mas os poucos garotos que compraram o disco
entenderam que seu minimalismo melódico exagerado era um chamado. Os
Sex Pistols, The Clash e os Buzzcocks usaram os quatro acordes dos
Ramones para expressar a frustração com o Rock sem graça e acomodado da
época. Nunca mais a revolução teria um som tão simples.

Television - Marquee Moon (1977)


Dentre as principais bandas do mundo punk criado no clube
nova-iorquino CBGB's, o Television foi a que teve menos sucesso
comercial. No entanto, seu melhor momento, o album Marquee Moon, foi
tão bom, ou melhor, quanto aos trabalhos seminais de alguns de seus
contemporâneos, como Horses, de Patti Smith (os dois traziam uma
fotografia de Mapplethorpe na capa) e o disco de estréia dos Talking
Heads. Depois de bater na porta de varias gravadoras, o Television
assinou contrato com a Elektra em 1976. A banda estava sem seu baixista
original, Richard Hell, que havia deixado o grupo para formar os
Heartbreakers, com Johnny Thunders. O baixista Fred Smith era um
substituto à altura, mas sua maior contribuição foi apresentar Tom
Verlaine a Andy Johns (irmão de Glyn Johns), que tinha experiência
suficiente para não arremedar o indefinido som jazz-punk desenvolvido
no CBGB's. O resultado foi um inigualável disco a base de guitarras. Dando
as costas para o som bluseiro qeu dominava a guitarra desde o rock dos
anos 60, o Television criou um trabalho que, a seu jeito, é tão radical
quanto o melhor do Led Zeppelin. O album começa com a agitada "See no
Evil", na qual Verlaine e Richard levam suas guitarras ardentes a uma
celebração crescente da poluição urbana e da cultura das ruas. A
faixa-titulo, de 11 minutos, pode levar alguem a comparar o grupo com
as bandas hippies, mas não há flower power - só power - em "Prove it" e
"Guiding Ligth". Marquee Moon teve uma recepção indiferente por parte do
publico, mas foi aclamado pelos criticos, incluindo Nick Kent, na NME,
que, entusiasmado, escreveu que "as canções estão entre as melhores de
todos os tempos".

sábado, 5 de abril de 2008

Black Sabbath - Paranoid (1970)


O Black Sabbath ja tinha causado algum espanto na Inglaterra com seu album de
estreia: uma retomada sísmica do blues que, junto com os dois primeiros clássicos do Led
Zeppelin, ajudou a criar um novo estilo de rock'n'roll - o heavy metal.
Em termos de qualidade do material, o segundo LP do quarteto de Birmingham é um salto gigantesco. A faixa de protesto "War Pigs" é uma das melhores aberturas de albuns de todos os tempos, capitando os animos acirrados da juventude ocidental em relação à campanha sangrenta dos EUA no Vietnã. Todas as caracteristicas do Sabbath aparecem nessa musica: os gritos abominaveis de Ozzy Osbourne; a dinamica de mudança de tempo do baterista Bill Ward e do baixista/letrista Geezer Butler; e, a mais conhecida, a presença disforme do mito da guitarra e senhor dos riffs, Tony Iommi.
A mítica faixa-título vem logo depois, uma explosão proto-punk de loucura que
permanece como o hino clássico do Black Sabbath - Ozzy e Iommi chegaram a cantar essa
música durante as comemorações, Londres, do jubileu de Ouro da Rainha Elizabeth II, em 2002. A balada fantasmagórica "Planet Caravan" apresenta um lado suave, muitas vezes
superestimado, enquanto a pesada ficção científica de "Iron Man" parece antecipar o movimento
grunge. As últimas quatro faixas são menos conhecidas, embora imponentes. O pesadelo de
heroína em "Hand of Doom" é especialmente apropriado e contribuiu para consolidar a posição do Sabbath como uma das forças mais sinistras da música dos anos 70.
Paranoid tornou a banda conhecida nos EUA e chegou ao 12º lugar nas paradas. As músicas do álbum foram regravadas por grupos tão diferentes como o Pantera e os Cardigans. Sua influencia para tornar mais heavy o espectro do rock, do Nirvana ao Queens of the Stone Age, é incalculável.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Slade - Slayed? (1972)



Famoso pelos gritos extraordinários e as fenomenais suíças do vocalista Noddy Holder - sem falar do corte de cabelo arredondado do guitarrista Dave Hill e suas botas prateadas de cano alto e salto plataforma -, o Slade era o glam rock em seu estado mais puro e grosseiro. Com exceção do trabalho de David Bowie e do Roxy Music, daquela época louco e gloriosa do pop inglês, as músicas do T. Rex e do Slade foram as que melhor sobreviveram. Se Bolan tinha boogie, o Slade tinha força. De 1971 a 1976, o grupo teve uns 17 hits consecutivos entre os 20 Mais das paradas britânicas (incluindo seis primeiros lugares). Este álbum, repleto de um humor irascível, malicioso e audodestrutivo, traz o melhor do Slade, antes que sua fórmula se desgastasse (e que a excentrica ortografia dos títulos das canções perdesse a graça). Na verdade, a banda não fez nada de revolucionário nem de tão novo assim, mas seu trabalho foi tão bem feito, tão cheio de espírito que, três decadas depois, o Slade continua arraigado na cultura popular britânica. Como está demonstrado em "Mama Weer All Crazy Now" e "Gudbuy T´Jane", o melhor do pop é, em geral, simples, estúpido e, ao mesmo tempo, sublime. O Slade nunca se levou muito a sério e, por isso, não ficava excessivamente preocupado em ser legal. Estava na verdade acima destas coisas. Para conhecer o Slade, pode-se escolher entre comprar uma coleção de grandes sucessos (sabendo-se que incluir também um punhado de material inferior, do s últimos tempos da banda) ou este album - o melhor de todos. O disco contém apenas dois de seus singles de maior sucesso, mas, ainda assim, representa uma forte parcela de um pop puro, primal, gritado e genuíno.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Patti Smith - Horses (1975)


Horses reescreveu as regras sobre estrelas femininas do pop traçou um novo mapa para todas as artistas, de Chrissie Hynde e Johnette Napolitano a Courtney Love e Liz Phair. E o impacto causado pelo album de estreia de Patti Smith não se limitou apenas a um gênero sexual. A cantora combinou o poder do crescente cenário punk de Nova York com as narrativas ousadas dos poetas beat de São Francisco, criando um som verdadeiramente único, que influenciou grupos como o Talking Heads e o R.E.M.. Smith, com a ajuda do produtor John Cale, apresentou um trabalho tão nu e hipnótico, tão pessoal e cheio de dor, que não perdeu sua força em 30 anos. O album era uma obra de arte completa, a começar pelo retrato de Smith na capa, maravilhosamente sincero, feito por Robert Mapplethorpe. Horses começa com a releitura total de "Gloria", Van Morrison, na qual a cantora apresenta um dos melhores versos de abertura da história do rock - "Jesus died for somebody´s sins, but not mine" ("Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus")- e depois, entra num carrossel vertiginoso de sons em "Redondo Beach". Sua empreitada de exploração de composições longas é inaugurada neste disco, com um tom dramático, nas epopéias "Birdland" e "Land", ambas com nove minutos. A guitarra urgente de Lenny Kaye é fundamental na construção de faixas como "Break It Up". Mas foi a interpretação singular de Smith, uma mistura de dos recitais de Burroughs com o rosnar de Lou Reed, que marcou a diferença entre "Free Money" e "Kimberly" e tudo o que havia sido feito antes - e mesmo depois. Horses foi aplaudido pelos críticos mas teve um modesto desempenho de vendas, chegando ao 47º lugar nas paradas da Bilboard. O mais importante é que o album consagrou Smith como a principal poeta do punk rock, um título que ela ainda não perdeu.

Devo - Q:Are We Not Men? A: We are Devo! (1978)


Na música pop dos anos 70, os sintetizadores eram muito utilizados em gravações de música disco e nas produções elaboradas de estúdio rock progressivo, como as do Yes. Não eram, portanto, instrumentos de performances punk, embora o Kraftwerk tivesse feito uso especial de sintetizadores quando explorou temas sobre a loucura, no estilo punk, em sua música pré-techno. Loucura era a moeda forte do Devo, o quinteto de Ohio que, em seu álbum de estréia, o explosivo Q:Are we Not...em 1978, produzido por Brian Eno, enfeitou o som potente da guitarra do punk com sintetizadores metálicos e dissonantes. Na verdade, o grupo até usou o o instrumento de forma econômica em Q:Are We..., se comparado com o mar de sintetizadores que marcou trabalhos posteriores, como Freedom of Choice, de 1980. Os quatro álbums do Devo lançados entre 1978 e 1981 se ligavam tematicamente. O grupo formado por ex-estudantes de arte, hábeis satiristas, cultivava uma filosofia do desespero, um tanto vaga - por conta de inovações modernas duvidosas, como a exploração espacial e o fast food, a civilização não estava evoluindo, mas involuindo. Felizmente, o Devo nunca deixou a teoria sociológica ficar no caminho da boa música e só um pouco dessa ideologia é exposta claramente em Q:Are..., um maravilhoso conjunto de músicas dançantes, engraçadas e peculiares sobre tópicos como o retardamento mental e paranóia. É curioso que a música mais famosa e destacada do álbum seja uma versão de "Satisfaction". Mas, enquanto a gravação dos Stones é petulante e sensual, na voz do líder do Devo, Mark Mothersbaugh, a canção se torna um "cri de coer" frenético sobre o sentimento de ser esmagado por uma opressiva cultura de consumo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Emerson, Lake and Palmer - Pictures At An Exhibition (1971)


Sempre dispostos a uma entrada triunfal, Emerson, Lake and Palmer estrearam sua versão rock da obra clássica do compositor russo Modeste Mussorgsky no festival da Ilha de Wight, em 1970, no primeiro autêntico show do grupo. A capa de William Neal tem um efeito um tanto tranquilizador - uma série de molduras vazias numa galeria -, totalmente em desacordo com o impacto da música.É ainda mais digno de nota o trabalho de Emerson no sintetizador Moog, uma inovação raramente encontrada fora do estúdio, por causa da imprevisibilidade do equipamento e porque muitas bandas não consideravam um "instrumento de verdade". Por ironia, o destaque do disco é uma composição de Lake, "The Sage", programada para outro album, mas que se adequou perfeitamente ao clima do show. Essa faixa contém sua melhor gravação ao vivo tocando violão. Por outro lado, "The Hut of Baba Yaga" mostra Emerson aumentando a velocidade da musica no órgão Hammond, com um encorpado trabalho no Moog. Ele muda para um piano boogie-woogie no pastiche de Tchaikovsky feito por B. Bumble And The Stinger, em 1961, chamado "Nut Rocker", e conclui com um estrondo irreverente. Pictures...foi lançado nos EUA apenas depois que os níveis de importação do album tinham se tornado inacreditáveis - e, com isso, o disco foi para o 10º lugar na parada na Bilboard. Com este album, o grupo entrou pela terceira vez em um ano entre os três mais vendidos da Inglaterra, e produziu um som devastador, nos moldes da banda anterior de keith Emerson, The Nice. Para o bem ou para o mal, uma trilha havia sido aberta.

John Lennon - Imagine (1971)


Depois das confissões existenciais de seu album solo de estréia, Plastic Ono Band, o ex-beatle precisava de um sopro de utopia, uma pitada de esperança. Isso, somado à variada musicalidade do disco, garantida por um elenco de estrelas - George Harrison, Klaus Voorman, Nick Hopkins, Jim keltner, Alan White, King Curtis e alguns integrantes do Badfinger -, fez de Imagine um enorme hit, que chegou ao primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra, exatamente quando Lennon e Yoko Ono estavam se muadando para a América. Imagine, produzido por Phil Spector no estudio que Lennon havia construído em sua mansão inglesa, Tittenhurst, traz a canção pela qual o mundo se lembra da personalidade mais interessante dos Beatles, um hino á fé do homem num mundo melhor, mesmo diante de uma realidade desesperadora. O album tambem contem algumas das melhores canções de amor já feitas por um homem para uma mulher - "Oh My Love" e "Jealous Guy" - e ainda sua parcela de puro rock´n´roll, ao estilo de Lennon, como no protesto político de "Gimme Some Truth" e na diatribe contra McCartney, "How Do You Sleep?". Algumas faixas lembram o temas instrospecivos do passado, como "Crippled Inside" ou "How?", mas o novo eixo central de vida descoberto por John em Yoko e tambem a produção de Spector - orquestrada mas, ainda assim, áspera - fizeram de Imagine seu disco mais equilibrado e bem realizado. Trata-se do auto-retrato de um homem sensível e, ao mesmo tempo, agressivo, inseguro e arrojado, introspectivo mas socialmente atento. Só a faixa-título, um trabalho de incrível simplicidade (lançada quatro anos depois na Inglaterra, chegou ao primeiro lugar - claro), vai chamar a atenção para esta obra-prima imortal por gerações e gerações.
Google