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Território da Música: Artigos (Rock)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Gilberto Gil e Jorge Ben Jor - Gil & Jorge - Ogum Xangô (1975)



Gravado depois de um breve ensaio e com apenas dois violões (e um percussionista) no acompanhamento, Gil & Jorge foca os talentos individuais de Gilberto Gil e Jorge Ben Jor como músicos, vocalistas, interpretes e improvisadores. o disco é uma prova de que eles estão mais do que habilitados pra realizar a tarefa. As nove faixas, todas bem longas (o album foi originalmente pensado como duplo), mostram Gil e Ben interagindo em um nivel tão esplendido, e com tamanha empatia, que chegam a criar linhas musicais que se repetem várias vezes. As faixas mais notáveis - "Nega", "Taj Mahal" e "Meu Glorioso São Cristovão" - são extraordinariamente rítmicas e possuem as características contagiantes e tradicionais da musica popular brasileira. É quase uma hora e meia passada de forma idílica.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)


Levando pelo menos duas geraçõex de adolescentes a tocar guitarras imaginárias no quarto, Led Zeppelin IV praticamente definiu o hard rock e o heavy metal. O album tem um pouco de folk music, blues, rock e sons psicodélicos. Mas não ha engano: este era tambem o som de uma banda se preparando para encher estádios. Faixas cheias de riffs como Black Dog e Rock and Roll parecem ensurdecedoras perto das meditações mais espirituais de Misty Mountain Hope e Going to California. Stairway to Heaven revelou a crescente obsessão do grupo pelo oculto, a religião e a mitologia inglesa (havia rumores de que, se tocada de trás para frente, a faixa revelaria mensagens satanicas). A performance de Jimmy Page - especialmente os dois solos ferozes de Stairway to heaven (a canção mais tocada ate hoje nas radio dos EUA) - influenciaria legiões de grupos de rock com Aerosmith, Metallica e Tool. A mística do album foi alimentada ainda pela capa, que não contém o nome da banda nem do disco (daí seus apelidos, Four Symbols e Zoso, em referencia as simbolos rúnicos na parte interna). Isso posto, é bom ressaltar que o disco sofre, se bem que apenas ocasionalmente de excesso de pretensão. Se o album anterior, ...III, predominantemente acústico, era um pouco mais humilde, este mostra o Led Zeppelin em seu estado mais pomposo, e essa grandiosidade sonora deixou espaço para a banda ser ridicularizada. Cinco anos depois, o heavy metal seria superado pelo punk rock, um anúncio fúnebre para grupos como o Led Zeppelin. Mais isso ainda estava por vir. Led Zeppelin IV revela uma banda no auge de seus poderes - e com muita honra.

Emerson, Lake, And Palmer - Tarkus (1971)




Enquanto a Conferencia Internacional sobre Crimes de Guerra acontecia em Oslo, em junho de 1971, o Emerson, Lake and Palmer lançava seu segundo disco: um libelo contra a futilidade da guerra - a capa mostra um tanque-tatu. O tecladista Keith Emerson, o cantor e baixista Greg Lake e o baterista Carl Palmer começaram a trabalhar em janeiro no conceito criado por Emerson durante uma turne, parcialmente inspirado pelo compositor argentino Alberto Ginastera e gravado em seis dias de fevereiro. "Carl estava muito confuso com os diferentes compassos", contou Emerson à Contemporany Keyboard. "Ele me disse que gostaria de fazer algo em 5/4 e eu falei que trabalharia com essa ideia. Comecei a compor Tarkus a partir dai. Greg não tinha muita certeza de que daria certo. Era muito esquisito. Mas concordou em tentar e mais tarde, adorou a experiencia". A obra-prima de abertura é marcada por cargas de teclado estridente e percussão ressonante entre "Tarkus" e tres temas adversários - o meditativo "Stones of Years", o embromador "Iconclast" e o mal-humorado "Mass" - antes da derrota para o malvado "Manticore" da mitologia persa (como dão a entender o orgão de catedral e a bateria com phaser). Essas batalhas deixam o flanco aberto para "Eruption" - os sintetizadores Moog e Hammond de Emerson têm o reforço dos golpes explosivos de Palmer - e para a sublime "Battlefield" e o dramático "Aquatarkus". O lado B traz um certo alívio com o honky tonk de Jeremy Bender e o rock´n´roll de Are you Ready Eddy? (escrita para o engenheiro de som Eddie Offord). Bitches Crystal e Infinite Space são um passeio pelo jazz, enquanto The Only Way - um barroco bachiano - questiona a religião. Este album define a grandiosidade do rock progressivo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Janis Joplin - Pearl (1971)

Em sua breve carreira, Janis Joplin parecia estar sempre a beira do precipicio da autodestruição. Como Billie Holiday, eram a luta contra o vício em drogas e os relacionamentos apaixonados que faziam seu blues soar tão convincente. Ainda assim, a cantora aparentava estar dando um rumo a sua vida quando entrou no estúdio para gravar Pearl. Depois de ganhar o disco de ouro, em 1968, por Cheap Trills, ela saiu da Big Brother e reuniu uma banda mais versátil, a Full Tilt Boogie Band. Janis tambem parecia ter sossegado e estava noiva. Claro, sossegar em termos relativos. A capa do album mostrava Janis com seus companheiros habituais - a bebida e o cigarro. Pearl é um belo argumento em favor da idéia de que Joplin poderia ter sido não a maior cantora de blues da época, mas a maior cantora - ponto final. No começo do disco, quando a Full Tilt Boogie toma de assalto a faixa "Move over" e segue com o lamento Cry Baby, Joplin mostra uma immpressionante versatilidade vocal, enchendo as palavras de drama e paixão. As modulações de "A woman Left Lonely" a tornam compativel as grandes divas, como Bessie Smith. Joplin também sabia se divertir - basta ouvir Me and Bobby McGee e Mercedes Benz. Na verdade, a melhor faixa do disco não contém uma palavra cantada por Joplin. Ela foi encontrada morta, de overdose de Heroína, num quarto de hotel em Hollywood, antes que tivesse posto os vocais em "Buried Alive In the Blues". Lançado póstumamente, Pearl chegou ao topo das paradas e consolidou a lenda da cantora para todo o sempre.

Jorge Ben - Africa/Brasil (1976)


É impossível exagerar a influência de Jorge Ben na heterogênea confederação internacional do funk. Quando fez seu manifesto soul do Rio, África/Brasil, Ben já era uma força musical há mais de uma década, mas esta combinação de percussão de samba, metais R&B, um coro atrevido e uma rhythm guitar hipnótica destila a essência do ritmo de Ben. O álbum abre arrasador com a incendiária "Umbabarauma", que David Byrne usou para dar o pontapé inicial em sua antologia Música Popular Brasil. A brilhante mistura feita por Jorge Ben de Sly Stone e James Brown com os ritmos profundos do samba se dá de forma perfeita em "Xica da Silva", enquanto o refrão absurdamente contagiante da versão atualizada de Taj Mahal torna claro porque Rod Stewart o copiou em seu hit "Do Ya Think I'm Sexy". Ben começou sua carreira tocando bossa nova, seguindo os passos de João Gilberto. Ele emplacou um grande sucesso internacional em 1963, com "Mas Que Nada", mas sua música atingiu seu auge criativo nos anos 70, quando integrou completamente a influência do funk americano e do R&B com a percussão pesada e sincopada dos ritmos afro-brasileiros. Seu poderoso trabalho no violão, a voz quente e íntima e a genialidade da produção resultaram numa série de álbuns excepcionais, culminando com África/Brasil. Embora não tenha sido uma figura central do movimento tropicalista do final dos anos 60, que juntou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa, a exploração dos temas africanos feita por Ben serviu de inspiração para muitos artistas brasileiros.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Deep Purple - Made in Japan (1972)


Enquanto os EUA empurravam o Vietnã do Norte para a mesa de negociações em Paris, o Deep Purple soltava uma carga de canhão na forma de um album duplo ao vivo. Depois de uma turnê pela America durante o verão, eles foram ao Japão, onde o selo regional pressionou o grupo a fazer uma gravação ao vivo para saciar os fãs locais, que cantaram cada palavra das letras nsa tres noites de shows, em Osaka e Toquio, no mes de agosto. A banda insistiu em que o engenheiro Martin Birch coordenasse a gravação. Ian Gillan, que vinha sofrendo com uma inflmação na garganta, estava com vergonha de seus vocais, mas sua avaliação foi mais crítica do que a voz. A gravação foi lançada sem overdubs e demonstrou a majestade nua e crua do Deep Purple no auge de seu poder. O album foi lançado na Inglaterra apenas para inibir o mercado pirata. Mas vendeu tão bem nos EUA que acabou ganhando uma edição local, na primavera de 1973, e chegou ao sexto lugar nas paradas, se tornando o disco do Purple mais vendido no país. Made in Japan, a essa altura, ja era considerado um classico. Cada faixa traz uma versão sólida e melodramática da gravação em estúdio. Highway Star abre o disco com furiosos teclados, guitarra e percurssão, que se fundem numa tempestade sonora coroada pelos gritos primais de Ian Gillan. Seu vocal dolorido em Child in Time oferece uma pausa antes do balanço de Smoke on the Water e Strange Kind of Woman. O guitarrista Richie Blackmore e o tecladista Jon Lord saem de si nos solos de Lazy e The Mule é uma vitrine para o virtuosismo de Ian Paice. A gigantesca Space Truckin - 20 minutos de caos estratosférico - se enquadra no que a Rolling Stone descreveu como "delícia garantida (...) o monstro do metal definitivo do Purple". Imperdível!!!

Milton Nascimento e Lô Borges - Clube da Esquina (1972)


Se Clube da Esquina fosse apenas a resposta brasileira a Sgt. Pepper..., já se destacaria como uma importante contribuição ao pop internacional. Mas esta magnifica coleçaõ de canções, lançada originalmente como um album duplo, também transformou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta em artistas de sucesso pelo próprio talento. Embora Milton Nascimento - um cantor carismático com um falsete puro e cheio de espiritualidade - seja o centro de gravidade do album, ele ainda não era uma grande estrela, e ...Esquina é muito mais um trabalhho de grupo, co-creditado também a Borges. O disco mistura sons oníricos, letras surrealistas e uma ampla variedade de influencias sul-americanas. É um marco da musica popular que abriu as portas da criação para outros artistas. O clube da esquina era um grupo de amigos de Belo Horizonte (MG). Eles passaram 6 meses, em 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói, compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O album contém uma série de classicos, como "Cravo e Canela" e "Nada será como antes". A influência dos Beatles é particularmente forte no "Rock Mineiro" de Lô Borges, em faixas como "O trem azul" e "Nuvem cigana", músicas delicadas, cheios de encanto e sutilezas.
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