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Território da Música: Artigos (Rock)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Devo - Q:Are We Not Men? A: We are Devo! (1978)


Na música pop dos anos 70, os sintetizadores eram muito utilizados em gravações de música disco e nas produções elaboradas de estúdio rock progressivo, como as do Yes. Não eram, portanto, instrumentos de performances punk, embora o Kraftwerk tivesse feito uso especial de sintetizadores quando explorou temas sobre a loucura, no estilo punk, em sua música pré-techno. Loucura era a moeda forte do Devo, o quinteto de Ohio que, em seu álbum de estréia, o explosivo Q:Are we Not...em 1978, produzido por Brian Eno, enfeitou o som potente da guitarra do punk com sintetizadores metálicos e dissonantes. Na verdade, o grupo até usou o o instrumento de forma econômica em Q:Are We..., se comparado com o mar de sintetizadores que marcou trabalhos posteriores, como Freedom of Choice, de 1980. Os quatro álbums do Devo lançados entre 1978 e 1981 se ligavam tematicamente. O grupo formado por ex-estudantes de arte, hábeis satiristas, cultivava uma filosofia do desespero, um tanto vaga - por conta de inovações modernas duvidosas, como a exploração espacial e o fast food, a civilização não estava evoluindo, mas involuindo. Felizmente, o Devo nunca deixou a teoria sociológica ficar no caminho da boa música e só um pouco dessa ideologia é exposta claramente em Q:Are..., um maravilhoso conjunto de músicas dançantes, engraçadas e peculiares sobre tópicos como o retardamento mental e paranóia. É curioso que a música mais famosa e destacada do álbum seja uma versão de "Satisfaction". Mas, enquanto a gravação dos Stones é petulante e sensual, na voz do líder do Devo, Mark Mothersbaugh, a canção se torna um "cri de coer" frenético sobre o sentimento de ser esmagado por uma opressiva cultura de consumo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Emerson, Lake and Palmer - Pictures At An Exhibition (1971)


Sempre dispostos a uma entrada triunfal, Emerson, Lake and Palmer estrearam sua versão rock da obra clássica do compositor russo Modeste Mussorgsky no festival da Ilha de Wight, em 1970, no primeiro autêntico show do grupo. A capa de William Neal tem um efeito um tanto tranquilizador - uma série de molduras vazias numa galeria -, totalmente em desacordo com o impacto da música.É ainda mais digno de nota o trabalho de Emerson no sintetizador Moog, uma inovação raramente encontrada fora do estúdio, por causa da imprevisibilidade do equipamento e porque muitas bandas não consideravam um "instrumento de verdade". Por ironia, o destaque do disco é uma composição de Lake, "The Sage", programada para outro album, mas que se adequou perfeitamente ao clima do show. Essa faixa contém sua melhor gravação ao vivo tocando violão. Por outro lado, "The Hut of Baba Yaga" mostra Emerson aumentando a velocidade da musica no órgão Hammond, com um encorpado trabalho no Moog. Ele muda para um piano boogie-woogie no pastiche de Tchaikovsky feito por B. Bumble And The Stinger, em 1961, chamado "Nut Rocker", e conclui com um estrondo irreverente. Pictures...foi lançado nos EUA apenas depois que os níveis de importação do album tinham se tornado inacreditáveis - e, com isso, o disco foi para o 10º lugar na parada na Bilboard. Com este album, o grupo entrou pela terceira vez em um ano entre os três mais vendidos da Inglaterra, e produziu um som devastador, nos moldes da banda anterior de keith Emerson, The Nice. Para o bem ou para o mal, uma trilha havia sido aberta.

John Lennon - Imagine (1971)


Depois das confissões existenciais de seu album solo de estréia, Plastic Ono Band, o ex-beatle precisava de um sopro de utopia, uma pitada de esperança. Isso, somado à variada musicalidade do disco, garantida por um elenco de estrelas - George Harrison, Klaus Voorman, Nick Hopkins, Jim keltner, Alan White, King Curtis e alguns integrantes do Badfinger -, fez de Imagine um enorme hit, que chegou ao primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra, exatamente quando Lennon e Yoko Ono estavam se muadando para a América. Imagine, produzido por Phil Spector no estudio que Lennon havia construído em sua mansão inglesa, Tittenhurst, traz a canção pela qual o mundo se lembra da personalidade mais interessante dos Beatles, um hino á fé do homem num mundo melhor, mesmo diante de uma realidade desesperadora. O album tambem contem algumas das melhores canções de amor já feitas por um homem para uma mulher - "Oh My Love" e "Jealous Guy" - e ainda sua parcela de puro rock´n´roll, ao estilo de Lennon, como no protesto político de "Gimme Some Truth" e na diatribe contra McCartney, "How Do You Sleep?". Algumas faixas lembram o temas instrospecivos do passado, como "Crippled Inside" ou "How?", mas o novo eixo central de vida descoberto por John em Yoko e tambem a produção de Spector - orquestrada mas, ainda assim, áspera - fizeram de Imagine seu disco mais equilibrado e bem realizado. Trata-se do auto-retrato de um homem sensível e, ao mesmo tempo, agressivo, inseguro e arrojado, introspectivo mas socialmente atento. Só a faixa-título, um trabalho de incrível simplicidade (lançada quatro anos depois na Inglaterra, chegou ao primeiro lugar - claro), vai chamar a atenção para esta obra-prima imortal por gerações e gerações.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Jethro Tull - Aqualung (1971)


Dois filmes clássicos de Christopher Guest vem a mente quando se ouve o Aqualung,do Jethro Tull: This is Spinal Tap e A Mighty Wind. O primeiro é um falso documentário heavy metal; o segundo retrata um grupo de folck fictício. De Aqualung em diante, o Tull passou a ser enquadrado no genero do primeiro filme, mas sua inspiração vem do estilo musical do segundo. A faixa-titulo abre o album com ecletismo típico da banda. Num primeiro momento, surge o dedilhar de um violão tranquilo e um piano civilizado; no seguinte, é a vez do baixo frenético e de passagens de bateria - tudo isso coroado por um solo firme de guitarra. "Cross-Eyed Mary" segue um padrão mais tradicional. A flauta caracteristica do vocalista Ian Anderson paira sobre a pulsante linha de baixo de Jeffrey Hammond e os floreados arranjos orquestrais de David Palmer. A música, então, se submete ao reinado da guitarra, embora o piano, os sininhos e a volta da flauta de Anderson desafiem o rock potente do nucleo formado por guitarra, baixo e bateria. As letras de Aqualung se encaixam numa fantástica narrativa que se desenrola ao longo do album e se baseia, em parte, nas experiências de um sem-teto. Essa história faz com que a música singular do disco esteja vinculada a uma mensagem de conscientização, própria da época. O conceito é estabelecido pelo texto da contracapa do album - uma leitura distorcida do primeiro capítulo do Gênesis. Na versão do Tull da narrativa biblica, o homem criou Deus e, depois, o Aqualung. O disco tornou-se um marco instigante do prog-rock-folk. Sua temática não impediu que as faixas cheias de riff fizessem sucesso nas rádios - nem que o album vendesse milhões de cópias.

The Velvet Underground - White Light/White Heat (1967)


Lá pelo final de 1967, o patrono do The Velvet Underground, o célebre Andy Warhol, havia perdido o interesse pelo grupo, o que levou o cantor e letrista Lou Reed a entrar em contato com Steve Sesnick, de Boston. O novo empresário pressionou Reed a imprimir à banda um caráter mais comercial - para o desagrado do baixista e organista John Cale. O lado A de seu segundo LP é notável pela temática perversa, incluindo a melodicamente distorcida faixa-título, que defende o uso de anfetaminas. "The Gift" conta a história tragicomica de Waldo Jeffers, que tem tanto medo de ser traído por sua namorada da faculdade que se envia a ela pelo correio. Cale faz a narração, seu agradável sotaque galês sendo transmitido por um canal, enquanto no outro entra um R&B a meio tempo,entrelaçado com arremedos de guitarra elétrica. "Lady Godiva's Operation" faz uma desconfortável leitura médica da lenda medieval, com os vocais se destacando da mistura psico-noir, num efeito artístico. O lado B puro furor. Em "I Heard Her Call my Name", Cale, o guitarrista Sterlingo Morrison e o baterista Mo Tucker martelam uma veloz base ritimica, enquanto o líder Reed solta a voz em rajadas no estilo free jazz. "Sister Ray" é o despertardor do noise-rock: 17 minutos de sexo, drogas e armas conduzidos por ondas gigantescas de feedback, notas dissonantes e golpes de garage. White Ligth/White Heat foi lançado com ainda menos cópias do que o album de estréia, chegando ao 199º lugar na parada da Bilboard. No entanto, em termos de alta amperagem e liberdade em estado bruto, nada se compara a este disco.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nazareth


Nazareth

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

Por Allan Jones

O Nazareth é uma das mais tradicionais bandas do rock setentista. A banda surgiu em 1968 para ser exato, formada por quatro escoceses, o vocalista Dan McCafferty, o guitar Manny Charlton, o baixista Pete Agnew e o baterista Darrel Sweet. Antes que perguntem, ele não tem nenhum parentesco com os irmãos Sweet do Stryper.

Em 1970, a banda foi tentar a sorte em Londres e lançaram seu primeiro álbum em 1971. O álbum levou o nome da banda apenas.

O segundo álbum se chamou “Exercises”, mas a banda só iria conseguir emplacar com o terceiro, o clássico “Razamanaz”, que colocou os singles “Broken Down Angel” e “ Bad bad boy” no Top Europeu.

Mais dois álbuns se seguiram. “Loud n´Proud” (74) e “Rampant” (74) deram notoriedade á banda pelo resto do mundo.

Em 1975 foi lançado o clássico “Hair of the Dog”. Com este álbum o Nazareth começou a incomodar os chamados grandes do rock pesado mundial. A banda era sucesso de público e crítica com seu hard rock simples e direto. A edição em CD do "Hair of the Dog” traz a clássica “Love Hurts” que se tornou hit em todo planeta, estourando inclusive aqui no Brasil. É importante deixar bem claro que, ao contrário do que muita gente pensa, esta música não é do Nazareth, foi um cover do Everly Brothers. Este disco gerou a incrível marca de 1 milhâo de cõpias só nos USA. Nada mal para uma banda Escocesa.

Seguiram-se os discos “Close enough for rock n´roll” (excelente!), “Play,N the Game” (razoável!), “Hot Tracks” (recomendável!) e “Expect No Mercy” (Sem Palavas, ouça!).

Em 79, a banda adiciona o guitarrista Zal Clemison ao seu line-up. Ele chega a gravar dois álbuns com a banda (“No Mean City” e “Malice in Wonderland”) para depois seguir seu caminho. No seu lugar entrou o tecladista John Locke que também não esquentou o banco e foi substituído pelo guitarrista Bill Rankin que também tocava teclados. Enquanto o Nazareth passava por esses problemas internos, canções como “My White Bycicle”, “Expect no Mercy” e “Shangai d´Shangai” animavam as festinhas.

Com a entrada dos anos 80, a banda ficou um pouco confusa em relação às tendências que surgiam, e foi desaparecendo da mídia.

Em 81, saia nas lojas um álbum ao vivo chamado “Snaz”.

A banda ainda persistiu, lançando em 82 o altamente recomendável “2XS” que contém a incrível “Love Leads to Madness” que aqui no Brasil fez trilha de comercial de marca de cigarro.

Mais uma série de discos foi lançada nos anos 80, e variavam entre medianos e fracos. Entre eles constam “Sound Elixir” e “Cinema”.

Após este período difícil, onde a banda não teve a atenção merecida por parte do público, eles resolvem radicalizar com o disco “No Jive”. O resultado é muito bom e a banda volta a ser notícia. Nas rádios tocava uma música diferente, um arranjo bem pop, mas pela voz do cantor nós percebíamos que se tratava do Nazareth; era a música “Games”.

Em 94 sai “From the Vaults” e em 95 eles reeditam o álbum ao vivo que foi originalmente gravado em 1981.

A década de 90 marcou por ter sido a década que mais se encontrava coletâneas da banda. Eram diversas, dentre oficiais e piratas.

Ainda em 95 a banda solta na praça o álbum “Move Me”. Nesta época eles entraram em turnê com outras grandes bandas setentistas.

O próximo disco só iria sair em 1999, e se chamaria “Boogaloo”. Neste álbum a banda tentaria um retorno as raízes do rock n’ roll.

Biografia: Uriah Heep

Fonte: Rock Online



Em 1965, Mick Box junta-se a David Garrick, mais conhecido como David Byron, formando o “The Stalkers”. Ficaram por dois anos tocando covers em clubes locais, quando em 1967, Box e Byron resolvem tornar-se profissionais. Os outros membros da banda acham arriscado e se separam. A dupla, porém, continuou firme, trabalhando e compondo material. Juntam-se ao baterista Nigel Pegram e ao baixista Barry Green na banda “Spice”. Green foi substituído no meio de 68 por Paul Newton e sua entrada coincidiu com a gravação de um single por artistas unidos, “What about the Music”.


O Spice consegue construir uma boa carreira no circuito londrino, tocando em vários clubes. Em 69, o baterista Pegram é substituído por Alex Napier. Fazendo uma mistura de hard rock com jazz, o Spice gravou a demo com o nome de “The Play”.

Após um árduo trabalho, conseguem assinar um contrato com o empresário Gerry Bron, gravando um álbum em 1969, “The Landsome Tapes”. Por sugestão de Bron, o tecladista Ken Hensley passa a fazer parte do line-up e mudam o nome para Uriah Heep.


A entrada de Hensley fez com que eles desenvolvessem seu próprio estilo baseado nas harmonias vocais combinadas com guitarras e teclados. O ano de 1970 foi considerado o de nascimento do Uriah Heep. Nesse primeiro ano, passaram quatro bateristas pela banda. Napier saiu após ter gravado algumas faixas do primeiro álbum, sendo substituído por Nigel Ollie Olsson, que mais tarde se juntara à banda de Elton John, mas não sem antes gravar “Very ´Eavy, Very ´Umble”. Quem tocou no segundo álbum, “Salisbury”, foi Keith Baker, ficando até outubro dando lugar para Ian Clarke, que tocou no terceiro álbum, “Look at Yourself”.


O ápice da carreira aconteceu em meados dos anos 70, com os álbuns “Demons and Wizards”, “The Magician´s Birthday”, “Sweet Freedom”, “Wonderworld” e ainda um dos melhores álbuns ao vivo do Uriah: “Live´73”.


Em fevereiro de 1975, devido à problemas de saúde e de drogas além de um acidente ocorrido num show em Dallas (foi eletrocutado quando tocava ao vivo) Train é afastado da banda. Em dezembro do mesmo ano, fora encontrado morto devido a uma overdose. John Wetton foi contratado para assumir a vaga, completando o time nas gravações de “Return to Fantasy”.
Tais fatos, associados à fama, acabaram por desgastar um pouco a banda, principalmente David Byron, que acabou deixando a banda em julho de 1976. O vocalista John Lawton e o baixista Trevor Bolder entraram no Uriah Heep. Com essa formação, foram lançados “Firefly”, “Innocent Victim” e “Fallen Angel”.
Após 1979, mais mudanças: Lawton abandona o barco e Lee Kerslake é substituído por Chris Slade. John Sloman assume os vocais, e gravam “Conquest” em 1980. Mais problemas ainda estavam por surgir pois o grupo não estava satisfeito nem com Sloman, nem com a substituição de Greg Dechert nos teclados. Mick Box estava querendo mudar o nome da banda para “Mick Box Band” e Kerslake queria voltar a tocar com Ozzy Osbourne. Mick desiste da mudança mas monta um novo line-up com Peter Goalby, o tecladista John Sinclaire e o baixista Bob Daisley. Gravaram então um novo álbum, “Aboninog”,que saiu em 82.
Logo após de “Head First”, em 1983, Trevor Bolder volta ao Uriah, para a gravação de “Equator”. Tiram um tempo de férias e voltam com Mick Box, Kerslake e Trevor Bolder, e mais o tecladista Phil Lanzon e por dois meses o vocalista Steff Fontaine, que logo depois foi substituído por Bernie Shaw. Essa formação foi uma das mais estáveis, compondo os álbuns “Live in Moscow”, “Raging Silence”, “Different World”, “Sea of Light” e “Spellbinder.
Apesar das inúmeras mudanças e desavenças, o Uriah Heep, seja com os músicos e na época que for, sempre será lembrado com um dos maiores nomes do Rock em todo o planeta.


Confiram tambem a discografia completa da banda:Site Rock Online

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