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Território da Música: Artigos (Rock)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Biografia: GENESIS

O Genesis foi formado na Inglaterra por amigos que estudavam numa espécie de internato preparatório para a faculdade, chamado Chaterhouse Public School. Peter Gabriel e Antony Banks já estudavam por lá em 1963, e no ano seguinte, chegou Michael Rutherford, logo seguido de Anthony Philips. Nas apresentações com suas respectivas bandas foram se conhecendo, e algum tempo depois se juntaram e formaram o Genesis em 1967. Depois de gravar algumas ‘demos’ amadoras em estúdios caseiros, uma dessas gravações chegou às mãos Jonathan King, um ex-aluno de Charterhouse e assistente de Edward Lewis, o então presidente da Decca Records, em Londres.Depois de duas fitas-demo e dois compactos, Chris Stewart sai da banda e no seu lugar entra John Silver, também estudante da antiga escola. Com Gabriel nos vocais, Banks nos teclados, Mike Rutherford no baixo, Anthony Phillips na guitarra e John Silver na bateria, o Genesis grava seu primeiro disco, o obscuro “From Genesis to Revelation”, lançado pela Decca Records. O álbum não obteve êxito algum e John deixa a banda. Para o seu lugar é recrutado John Mayhew.Em 1970 foi lançado, via Charisma Records, o segundo registro do grupo. “Trespass” apresentava uma banda mais amadurecida, com sua veia musical bem diferente do primeiro LP. As faixas eram mais longas, os arranjos melhor elaborados e mais eruditos. Logo após o lançamento do álbum, o Genesis passou por mais mudanças. Saíram John e Anthony e para os seus lugares vieram o baterista Philipe Collins e o guitarrista Steve Hackett. Essa formação gravou “Nursery Cryme”, que trazia uma musicalidade extremamente elaborada, além de letras inspiradas em ficção cientifica, poesias de William Blake e contos de terror de H.P. Lovecraft.Em 1972 foi a vez de “Foxtrot”, seguido de muitas turnês pelo Reino Unido. A popularidade da banda começava a crescer cada vez mais por conta da criatividade dos músicos, tanto nos arranjos quanto nas letras, mas a genialidade de Peter Gabriel passava a ofuscar os outros integrantes, que ficam desconfortáveis com reportagens que falavam apenas do músico e pouco citavam a banda como um conjunto.“The Lamb Lies Down on Broadway” foi o registro seguinte, lançado em 1974. Peter Gabriel comandou quase totalmente as composições e gravações, e os desentendimentos internos eram constantes, o que resulta na saída de Gabriel da banda. Ele, porém, é convencido a permanecer com o Genesis por mais seis meses, durante a turnê de promoção do álbum, que passou pela Europa e Estados Unidos, rendendo no total 102 apresentações.Em maio de 1975, Peter Gabriel finalmente deixa o Genesis e decide partir para carreira solo, enquanto o resto da banda, depois de uma exaustiva procura por um vocalista, decidiu por uma solução caseira: o baterista Phil Collins também tomaria conta dos vocais. E já no ano seguinte, o grupo lança o álbum “A Trick of the Trail” e percebe que sua reputação não foi abalada, o que dá confiança ao quarteto a seguir em frente.”Wind and Wuthering” foi o segundo álbum com Phil Collins nos vocais, seguido de uma extensa turnê, que passou inclusive pelo Brasil em 1977. Aproveitando a série de apresentações, o grupo gravou o ao vivo “Seconds Out”, mas logo após o lançamento do álbum, Steve Hackett deixa o grupo.Em 1978, o Genesis continua como um trio com Phil Collins nos vocais, Tony Banks nos teclados e Mike Rutherford no baixo e nas guitarras. Nos anos seguintes o grupo investiu de vez no pop e foi deixando sua veia progressiva de lado, “…And Then There Were Three…”, “Duke”, “Abacab”, o ao vivo “Three Sides Live”, “Genesis”, “Invisible Touch, e “Throwing It All Away” foram muito bem sucedidos, principalmente pelo forte apelo comercial que carregavam. A banda havia ficado milionária e cada vez os shows alcançavam maiores públicos. De estrela do rock progressivo, o Genesis se tornou um fenômeno da musica pop.Em 1996 Phill Collins decide deixar a banda para também se dedicar à sua carreira solo. Dessa vez, ao contrário do que havia ocorrido quando Peter Gabriel deixou a banda, o Genesis sentiu o golpe, pois o substituto, Ray Wilson, chegou a gravar apenas um álbum, “Calling All Stations”, o último registro do extenso legado do grupo.


Tim Maia - Tim Maia (1970)


O lançamento desse disco marcou o ano zero da musica black no Brasil. Com seu album de estreia, aos 28 anos, Sebastião Rodrigues Maia abria um novo caminho para nossa musica. Se João Gilberto havia adicionado elementos jazzisticos ao samba criando a bossa nova, Tim incorporava o soul dos negros americanos. E fazia isso de maneira tão natural, brasileira e popular que a identificação de seu som com o grande publico foi imediata e definitiva. É verdade que a Jovem Guarda já flertava com o balanço dos hitmakers da gravadora Motown e o proprio rei Roberto Carlos gravou em 68 "Não Vou Ficar", o primeiro grande sucesso de Tim Maia como compositor. Porém, dois anos mais se passariam para que o país inteiro descobrisse que, além de ter muitos outros clássicos na cabeça, o cara cantava como ninguém jamais tinha conseguido deste lado do hemisfério e sabia exatamente como nivelar a música brasileira com o que havia de mais legal na época em matéria de soul. Onze anos antes, Tim fizera um "estágio" nos EUA. Com apenas 17 anos, preto e pobre, já era maluco o suficiente para se mandar para lá em plena barra pesada dos tempos pré-Martin Luther King. Isso no exato momento em que a derivação do rhythm´m´blues, que seria conhecida como soul music, começava a definir seus contornos. Ficou por lá até "ser convidado" a se retirar da festa pelas autoridades americanas (ele desabafaria em "Meu País", de 71: "Sim, bem sei que aprendi muito no seu país/Justo no seu país/Porém, no meu país senti tudo que quis"). Mas foi por aqui que ele encontrou os elementos que tornariam a música que fazia tão rica e particular, como ficava comprovado no seu primeiro album. Com o paraibano Genival Cassiano compôs "Padre Cícero", uma irresistível mistura de forró e soul em homenagem ao preacher de Juazeiro. Essa feliz experiência genética teve seu ponto alto em "Coroné Antonio Bento" (Luiz Wanderley/João do Valle), onde a atuação vocal alucinada de Tim fazia a gente acreditar que Memphis ficava em pleno sertão de Pernambuco. Aliás, a participação de Cassiano - o outro grande arquiteto do soul no Brasil - foi fundamental no disco. São dele "Voce fingiu", a sensível "Eu amo voce" e o hit "Primavera" (as duas ultimas em parceria com Silvio Rochael). E se o mundo todo pudesse ouvi-lo, ele ainda tinha muito para contar: em meio ao belíssimo arranjo de cordas em "Azul da Cor do Mar", Tim tocou no nervo do dente da paixão latina ("...um nasce para sofrer/enquanto outro ri"). Desde então, poucos artistas tem convencido como ele, ao cantar a dor do homem espezinhado pela mulher ingrata. Mais de três décadas depois, o disco ainda impressiona pela riqueza das melodias e dos arranjos, alem da atualidade sonora de faixas como "Cristina" (uma aula de como tirar a musica da alma) e "Flamengo". Antes de sacramentar o samba-soul de "Réu Confesso" e "Gostava tanto de Você" em 73, Tim lançaria mais dois albuns pródigos em gerar sucessos, todos pela atual PolyGram - a mesma gravadora para onde fora levado os Mutantes. Esse disco bem que mereceria um relançamento na íntegra de fundamental ciclo de sua carreira em CD. Esse disco é obrigatório!!!!

Black Sabbath - Black Sabbath Vol 4 (1972)




Muito antes de o Black Sabbath ter se separado, como resultado de brigas internas regadas a drogas, houve um breve período de genialidade sludge-metal regada a drogas. A prova é Vol 4. A banda afirmou várias vezes que a criação e a gravação do álbum coincidiram com seu período mais hedonista e mais marcado pelo uso de drogas. A gravadora transplantou os quatro ingleses para a Califórnia, onde o disco foi feito. O título original do LP, Snowblind, foi rejeitado pelos executivos por sua óbvia referencia a cocaína. As consequencias negativas de sua decadencia seriam sentidas no final da década, quando a banda virou uma caricatura de si mesma. Mas Vol 4 surgiu antes da destruição; as músicas ainda são ásperas e pesadas, embaladas em riffs - ou, como disse a Rolling Stone, "fatias de heavy metal fluente". Como não deu origem a hinos do metal single, ...Vol 4 costuma ser subestimado. Não há qualquer faixa que rivalize com "Paranoid" ou Sweet Leaf. Apenas Snowblind toca ate hoje nas rádios. A força do album esta na pegada heavy e confiante em pequenos toques de experimentação. A banda intercala overdubs psicodélicos (The Straightener), cordas acusticas (Laguna Sunrise) e até mesmo um lado meloso - a lenta balada ao piano Changes, um elemento estranho ao repertório do disco. Mas, ao contrário dos ultimos trabalhos do grupo, o LP é alimentado pelas verdadeiras raízes dark e heavy da banda. Foi com Sabbath bloody Sabbath e os discos que se seguiram que o grupo começou a perder suas características.

Kraftwerk - Autobahn (1974)



Apesar de ser o quarto album do Kraftwerk, Autobahn é considerado o verdadeiro ponto de partida da banda. Ralf Hütter e Florian Schneider tinham se conhecido em 1968 e formado o grupo - e seu estúdio eletrônico experimental Kling Klang - no início de 1970. Depois de anos tocando no circuito universitário, em clubes e galerias de arte, onde aperfeiçoaram sua música, Ralf Hütter e Florian Schneider compuseram e gravaram a faixa título, uma sinfonia à base de sintetizadores, numa parceria com o poeta e pintor Emil Schult. Inspirada pelas longas viagens nas auto-estradas alemãs, a música marcou a separação definitiva da banda de seus colegas de Krautrock. Em Autobahn, com a participação dos percussionistas Wolfgang Flür e Karl Bartos, Hütter e Schneider cristalizaram o som primitivo e a imagem fria que caracterizaram o Kraftwerk. O álbum contém obras sublimes da "Electronic-Volks-Musik", como as faixas "Mitternacht", "Morgenspaziergang" e "Kometenmelodie", mas foi a faixa-título que se tornou o símbolo da carreira internacional do Kraftwerk. O álbum foi sucesso nos EUA e Europa e virou um marco do pop minimalista de vanguarda. Como disse Hütter, em 2003: "Em Autobahn, nós colocamos barulho de carros, metais, melodias básicas e motores afinados. Ajustamos a suspensão e a pressão dos pneus, rolamos pelo asfalto e usamos aquele som intermitente quando as rodas passam por cima das faixas. É uma poesia sonora, muito dinâmica". Autobahn é cinema para os ouvidos.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

The Who - Who´s Next (1971)


Este é o album mais vendido do The Who - e do ponto de vista de seu líder, Pete Towshend, o melhor. Mais foi fruto de uma crise: Lifehouse, o album seguinte ao conceitual Tommy, tinha fracassado, depois de meses de trabalho, porque ninguem, à exceção de seu autor, o compreendeu. A foto de Ethan A. Russel para a capa de Who´s Next faz uma brincadeira com o filme 2001 uma odisseia no espaço, mas tambem serviu como uma mostra da grandiosidade da ambição da própria banda (uma idéia rejeitada para a capa era mostrar Keith Moon num espartilho, segurando um chicote). Humilhado, Towshend foi convencido a incluir as melhores canções num album que não contasse qualquer história. Algumas eram dificeis, como "Bargain"; outras contagiantes, como "Getting In Tune"; uma - a divertida "My Wife", do baixista John Entwistle - não tinha nada a ver com LifeHouse (a mulher em questão, garantiu Entwistle, não se ofendeu:não foi atrás dele - mas seus advogados, sim). Muito acima do resto paira o trio dos melhores hinos do hard rock. "Baba O´riley" - uma junção dos nomes do guru de Towshend, Meher Baba, do compositor vanguardista Terry Riley - é uma mistura sublime de sintetizador e guitarra; "Behind Blue Eyes" é um modelo de poesia com atitude e "Won´t Get Fooled Again" é simplesmente monstruosa. As tres fizeram parte do repertorio do Who no show pós 11 de setembro no Madison Square Garden, chamado The Concert for New York. Foi a apresentação mais aplaudida da noite, o que mostra como, mesmo depois de decadas, as músicas e o grupo continuam grandiosos.

Echo And The Bunnymen - Crocodiles (1980)




Repleto de uma pesada e fatalidade introspectiva e simultaneamente críptico e cáustico, Crocodiles marcou a estréia do Echo... em LP e em um importante selo, colocando o grupo em evidência na cena da música alternativa. Ian McCulloch, Will Sergeant e Les Pattinson estavam juntos desde uma performance alquímica no clube Eric, em Liverpool, no ano de 1978. O single Pictures On My Wall, lançado pela Zoo Records de Bill Drummond, tinha recebido uma acolhida calorosa por parte da imprensa e tanto as sessões para o DJ John Peel como os shows em Londres despertaram a atenção das grandes gravadoras. O Echo destacava-se dos outros grupos: a voz profunda e as letras enigmáticas de McCulloch fundiam-se com a guitarra sombria e distorcida de Sergeant para criar uma musica profundamente emotiva. A sua bateria eletronica (batizada de Echo) tinha sido substituída por Pete de Freitas. O álbum foi gravado em 3 semanas, em junho de 1980, nos estudios Rockfield, no País de Gales. Hermético, perturbador e com um tom de urgencia, o LP traz musicas que duram, na maioria, menos de 3 minutos e cada faixa é uma jóia negra. O lado A penetra sob a pele aos poucos, conduzido pelo baixo e a guitarra dissonante. "Stars are Stars" cria uma justaposição de desespero e otimismo que posteriormente iria definir o som do grupo. O lado B abre com "Rescue", uma musica que McCulloch considera um trinfo pessoal, e continua com a bad trip de ácido de "Villiers Terrace", terminando com a melancolia de "Happy Death Men". A fotografia da capa, tirada em um bosque do sudeste a Inglaterra, deu o tom para toda uma década de fotografias do grupo, ao mesmo tempo misterioso e ativo. McCulloch usa um sobretudo roubado de Mark E. Smith, líder do The Fall.

Gilberto Gil e Jorge Ben Jor - Gil & Jorge - Ogum Xangô (1975)



Gravado depois de um breve ensaio e com apenas dois violões (e um percussionista) no acompanhamento, Gil & Jorge foca os talentos individuais de Gilberto Gil e Jorge Ben Jor como músicos, vocalistas, interpretes e improvisadores. o disco é uma prova de que eles estão mais do que habilitados pra realizar a tarefa. As nove faixas, todas bem longas (o album foi originalmente pensado como duplo), mostram Gil e Ben interagindo em um nivel tão esplendido, e com tamanha empatia, que chegam a criar linhas musicais que se repetem várias vezes. As faixas mais notáveis - "Nega", "Taj Mahal" e "Meu Glorioso São Cristovão" - são extraordinariamente rítmicas e possuem as características contagiantes e tradicionais da musica popular brasileira. É quase uma hora e meia passada de forma idílica.
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