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Território da Música: Artigos (Rock)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Robert Johnson - Lenda do Blues



Músico vende a alma e se torna o Rei do Blues
Robert Johnson fez um pacto com o demônio, gravou 29 músicas que se tornaram hinos e morreu jovem, com apenas 27 anos
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Alguns poderiam dizer que o talento de Robert Leroy Johnson para o blues tenha sido um presente de Deus - afinal, o musico, nascido por volta de 1910 (não há data precisa) tinha mãos bem grandes, o que o auxiliava na hora de encontrar notas que nenhum outro violonista pagão ousava descobrir. Mas o fato é que Robert Johnson, para ficar conhecido como um dos mais influentes compositores do chamado Mississipi Delta Blues, além de sua contribuição para o desenvolvimento no estilo de dedilhar o violão, fez é um acordo com o coisa-ruim mesmo. Afinal, como explicar que monstros do instrumento como Muddy Waters, Elmore James, John Hammond, Eric Clapton e Keith Richards possam ter em Robert Johnson sua mais visceral idolatria? Coisa do demônio, com certeza.


Morte e decisão


A história é tão sinistra que pouco se sabe sobre a vida de Robert Johnson. Ele aprendeu a tocar violão com o irmão e perambulava pelo Mississipi se apresentando e conhecendo novos ritmos. Em 1930, sua primeira esposa morre durante o parto - fato que faz Johnson decidir viver do blues e para o blues - daí, a necessidade de fazer o pacto com o diabo. Em 1933, cruza com os músicos Son House e Willie Brown, que se encantam com seu jeito de tocar e fazem a lenda correr os EUA.
Meteórico
Mas o tinhoso dá com uma mão para tirar com a outra. Robert Johnson teve tempo de realizar duas sessões de gravação - em 1936 (quando gravou 16 canções) e em 1937 (mais 13 músicas) -, das quais saíram perólas como "Sweet Home Chicago", "Terraplane Blues", "Crossroads Blues" e "Walkin Blues". Além de seu estilo único em tocar o violão, o bluseiro também se destacava por suas composições - muitas delas tendo o parceiro chifrudo como tema central. Falando em chifres e cornos, essa foi a perdição de Johnson. Reza a lenda que o músico morreu envenenado por estricnina no uísque por um dono de bar local após querer se engraçar com a mulher do cidadão. Foram três dias de intensa agonia até o suspiro final, dado com apenas 27 anos. O diabo não perdoa.
Pós Morte

Não dá pra saber se Robert Johnson fez um pacto com o diabo - mas a lenda ganha mais força com o tempo. Em 1990, a Columbia Records lançou a coleção "Roots n´Blues Series", com as gravações completas de Robert Johnson em uma caixa com dois CDs. O objetivo era vender 20 mil cópias, mas o disco vendeu 500 mil, ganhou disco de ouro e até um Grammy Award. Medo...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Slade - Slayed? (1972)



Famoso pelos gritos extraordinários e as fenomenais suíças do vocalista Noddy Holder - sem falar do corte de cabelo arredondado do guitarrista Dave Hill e suas botas prateadas de cano alto e salto plataforma -, o Slade era o glam rock em seu estado mais puro e grosseiro. Com exceção do trabalho de David Bowie e do Roxy Music, daquela época louco e gloriosa do pop inglês, as músicas do T. Rex e do Slade foram as que melhor sobreviveram. Se Bolan tinha boogie, o Slade tinha força. De 1971 a 1976, o grupo teve uns 17 hits consecutivos entre os 20 Mais das paradas britânicas (incluindo seis primeiros lugares). Este álbum, repleto de um humor irascível, malicioso e audodestrutivo, traz o melhor do Slade, antes que sua fórmula se desgastasse (e que a excentrica ortografia dos títulos das canções perdesse a graça). Na verdade, a banda não fez nada de revolucionário nem de tão novo assim, mas seu trabalho foi tão bem feito, tão cheio de espírito que, três decadas depois, o Slade continua arraigado na cultura popular britânica. Como está demonstrado em "Mama Weer All Crazy Now" e "Gudbuy T´Jane", o melhor do pop é, em geral, simples, estúpido e, ao mesmo tempo, sublime. O Slade nunca se levou muito a sério e, por isso, não ficava excessivamente preocupado em ser legal. Estava na verdade acima destas coisas. Para conhecer o Slade, pode-se escolher entre comprar uma coleção de grandes sucessos (sabendo-se que incluir também um punhado de material inferior, do s últimos tempos da banda) ou este album - o melhor de todos. O disco contém apenas dois de seus singles de maior sucesso, mas, ainda assim, representa uma forte parcela de um pop puro, primal, gritado e genuíno.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Patti Smith - Horses (1975)


Horses reescreveu as regras sobre estrelas femininas do pop traçou um novo mapa para todas as artistas, de Chrissie Hynde e Johnette Napolitano a Courtney Love e Liz Phair. E o impacto causado pelo album de estreia de Patti Smith não se limitou apenas a um gênero sexual. A cantora combinou o poder do crescente cenário punk de Nova York com as narrativas ousadas dos poetas beat de São Francisco, criando um som verdadeiramente único, que influenciou grupos como o Talking Heads e o R.E.M.. Smith, com a ajuda do produtor John Cale, apresentou um trabalho tão nu e hipnótico, tão pessoal e cheio de dor, que não perdeu sua força em 30 anos. O album era uma obra de arte completa, a começar pelo retrato de Smith na capa, maravilhosamente sincero, feito por Robert Mapplethorpe. Horses começa com a releitura total de "Gloria", Van Morrison, na qual a cantora apresenta um dos melhores versos de abertura da história do rock - "Jesus died for somebody´s sins, but not mine" ("Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus")- e depois, entra num carrossel vertiginoso de sons em "Redondo Beach". Sua empreitada de exploração de composições longas é inaugurada neste disco, com um tom dramático, nas epopéias "Birdland" e "Land", ambas com nove minutos. A guitarra urgente de Lenny Kaye é fundamental na construção de faixas como "Break It Up". Mas foi a interpretação singular de Smith, uma mistura de dos recitais de Burroughs com o rosnar de Lou Reed, que marcou a diferença entre "Free Money" e "Kimberly" e tudo o que havia sido feito antes - e mesmo depois. Horses foi aplaudido pelos críticos mas teve um modesto desempenho de vendas, chegando ao 47º lugar nas paradas da Bilboard. O mais importante é que o album consagrou Smith como a principal poeta do punk rock, um título que ela ainda não perdeu.

Devo - Q:Are We Not Men? A: We are Devo! (1978)


Na música pop dos anos 70, os sintetizadores eram muito utilizados em gravações de música disco e nas produções elaboradas de estúdio rock progressivo, como as do Yes. Não eram, portanto, instrumentos de performances punk, embora o Kraftwerk tivesse feito uso especial de sintetizadores quando explorou temas sobre a loucura, no estilo punk, em sua música pré-techno. Loucura era a moeda forte do Devo, o quinteto de Ohio que, em seu álbum de estréia, o explosivo Q:Are we Not...em 1978, produzido por Brian Eno, enfeitou o som potente da guitarra do punk com sintetizadores metálicos e dissonantes. Na verdade, o grupo até usou o o instrumento de forma econômica em Q:Are We..., se comparado com o mar de sintetizadores que marcou trabalhos posteriores, como Freedom of Choice, de 1980. Os quatro álbums do Devo lançados entre 1978 e 1981 se ligavam tematicamente. O grupo formado por ex-estudantes de arte, hábeis satiristas, cultivava uma filosofia do desespero, um tanto vaga - por conta de inovações modernas duvidosas, como a exploração espacial e o fast food, a civilização não estava evoluindo, mas involuindo. Felizmente, o Devo nunca deixou a teoria sociológica ficar no caminho da boa música e só um pouco dessa ideologia é exposta claramente em Q:Are..., um maravilhoso conjunto de músicas dançantes, engraçadas e peculiares sobre tópicos como o retardamento mental e paranóia. É curioso que a música mais famosa e destacada do álbum seja uma versão de "Satisfaction". Mas, enquanto a gravação dos Stones é petulante e sensual, na voz do líder do Devo, Mark Mothersbaugh, a canção se torna um "cri de coer" frenético sobre o sentimento de ser esmagado por uma opressiva cultura de consumo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Emerson, Lake and Palmer - Pictures At An Exhibition (1971)


Sempre dispostos a uma entrada triunfal, Emerson, Lake and Palmer estrearam sua versão rock da obra clássica do compositor russo Modeste Mussorgsky no festival da Ilha de Wight, em 1970, no primeiro autêntico show do grupo. A capa de William Neal tem um efeito um tanto tranquilizador - uma série de molduras vazias numa galeria -, totalmente em desacordo com o impacto da música.É ainda mais digno de nota o trabalho de Emerson no sintetizador Moog, uma inovação raramente encontrada fora do estúdio, por causa da imprevisibilidade do equipamento e porque muitas bandas não consideravam um "instrumento de verdade". Por ironia, o destaque do disco é uma composição de Lake, "The Sage", programada para outro album, mas que se adequou perfeitamente ao clima do show. Essa faixa contém sua melhor gravação ao vivo tocando violão. Por outro lado, "The Hut of Baba Yaga" mostra Emerson aumentando a velocidade da musica no órgão Hammond, com um encorpado trabalho no Moog. Ele muda para um piano boogie-woogie no pastiche de Tchaikovsky feito por B. Bumble And The Stinger, em 1961, chamado "Nut Rocker", e conclui com um estrondo irreverente. Pictures...foi lançado nos EUA apenas depois que os níveis de importação do album tinham se tornado inacreditáveis - e, com isso, o disco foi para o 10º lugar na parada na Bilboard. Com este album, o grupo entrou pela terceira vez em um ano entre os três mais vendidos da Inglaterra, e produziu um som devastador, nos moldes da banda anterior de keith Emerson, The Nice. Para o bem ou para o mal, uma trilha havia sido aberta.

John Lennon - Imagine (1971)


Depois das confissões existenciais de seu album solo de estréia, Plastic Ono Band, o ex-beatle precisava de um sopro de utopia, uma pitada de esperança. Isso, somado à variada musicalidade do disco, garantida por um elenco de estrelas - George Harrison, Klaus Voorman, Nick Hopkins, Jim keltner, Alan White, King Curtis e alguns integrantes do Badfinger -, fez de Imagine um enorme hit, que chegou ao primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra, exatamente quando Lennon e Yoko Ono estavam se muadando para a América. Imagine, produzido por Phil Spector no estudio que Lennon havia construído em sua mansão inglesa, Tittenhurst, traz a canção pela qual o mundo se lembra da personalidade mais interessante dos Beatles, um hino á fé do homem num mundo melhor, mesmo diante de uma realidade desesperadora. O album tambem contem algumas das melhores canções de amor já feitas por um homem para uma mulher - "Oh My Love" e "Jealous Guy" - e ainda sua parcela de puro rock´n´roll, ao estilo de Lennon, como no protesto político de "Gimme Some Truth" e na diatribe contra McCartney, "How Do You Sleep?". Algumas faixas lembram o temas instrospecivos do passado, como "Crippled Inside" ou "How?", mas o novo eixo central de vida descoberto por John em Yoko e tambem a produção de Spector - orquestrada mas, ainda assim, áspera - fizeram de Imagine seu disco mais equilibrado e bem realizado. Trata-se do auto-retrato de um homem sensível e, ao mesmo tempo, agressivo, inseguro e arrojado, introspectivo mas socialmente atento. Só a faixa-título, um trabalho de incrível simplicidade (lançada quatro anos depois na Inglaterra, chegou ao primeiro lugar - claro), vai chamar a atenção para esta obra-prima imortal por gerações e gerações.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Jethro Tull - Aqualung (1971)


Dois filmes clássicos de Christopher Guest vem a mente quando se ouve o Aqualung,do Jethro Tull: This is Spinal Tap e A Mighty Wind. O primeiro é um falso documentário heavy metal; o segundo retrata um grupo de folck fictício. De Aqualung em diante, o Tull passou a ser enquadrado no genero do primeiro filme, mas sua inspiração vem do estilo musical do segundo. A faixa-titulo abre o album com ecletismo típico da banda. Num primeiro momento, surge o dedilhar de um violão tranquilo e um piano civilizado; no seguinte, é a vez do baixo frenético e de passagens de bateria - tudo isso coroado por um solo firme de guitarra. "Cross-Eyed Mary" segue um padrão mais tradicional. A flauta caracteristica do vocalista Ian Anderson paira sobre a pulsante linha de baixo de Jeffrey Hammond e os floreados arranjos orquestrais de David Palmer. A música, então, se submete ao reinado da guitarra, embora o piano, os sininhos e a volta da flauta de Anderson desafiem o rock potente do nucleo formado por guitarra, baixo e bateria. As letras de Aqualung se encaixam numa fantástica narrativa que se desenrola ao longo do album e se baseia, em parte, nas experiências de um sem-teto. Essa história faz com que a música singular do disco esteja vinculada a uma mensagem de conscientização, própria da época. O conceito é estabelecido pelo texto da contracapa do album - uma leitura distorcida do primeiro capítulo do Gênesis. Na versão do Tull da narrativa biblica, o homem criou Deus e, depois, o Aqualung. O disco tornou-se um marco instigante do prog-rock-folk. Sua temática não impediu que as faixas cheias de riff fizessem sucesso nas rádios - nem que o album vendesse milhões de cópias.
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