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Território da Música: Artigos (Rock)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

The Who - Discografia Mostrada em Video

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The who - The Who Sell Out (1967)



Uma obra-prima da pop art, The Who Sell Out esbanja uma ousadia quem mais tarde abandonaria esse volátil icone londrino do movimento mod. As hilariantes fotos da capa, de David Montgomery, revelam o conceito dessa cultura. O guitarrista e líder da banda, Pete Towshend, segura um tubo absurdamente desproporcional de Odorono - o desodorante "que transforma transpiração em inspiração". O cantor Roger Daltrey aparece numa banheira cheia de feijões cozidos com molho de tomate, abraçado a uma lata de Heinz (o primeiro fabricante de feijão em lata da Inglaterra). Na contracapa, o baterista Keith Moon aplica o creme Medac contra espinhas, e lê-se a informação de que o baixista John Entwistle "era um fracote de 60 kilos até que Charles Atlas o transformou num homem de 62 kilos" The Who Sell Out apresenta uma leitura satirica da relação entre música e propaganda. Townshend concebeu o album como uma transmissao de uma falsa radio pirata, intercalando as faixas de música com comerciais ficticios. Esses jingles ainda mantem seu apelo, embora o tempo tenha passado antes que a ideia pudesse ser totalmente compreendida. As canções são sensacionais. Um presente de Speedy Keen, futura estrela da banda Thunderclap Newman, "Armenia City in the sky" é um atordoante pacto entre o rock e o movimento psicodelico. "I can see for miles" foi o maior sucesso do The Who nos EUA: uma tempestade de harmonias dilatadas em tempos variados, com instrumentos ferinos, conduzida por um Moon em grande forma. Mas, em outras faixas, há um toque mais suave. "Mary Anne With the shaky Hand" soa como os Byrds; Daltrey surge afetado e obscuro em "Tatoo"; "Our Love Was" e "I can´t reach you" são melodias alegres. Finalmente, a náutica miniópera "Rael" aponta o caminho para Tommy e o superestrelato.

Pink Floyd - The Piper at The Gates of Dawn (1967)



Como banda da casa UFO Club em meados dos anos 60, o Pink Floyd começou uma revolução psicodelico-musical em Londres, rivalizando com a realizada pelo The Grateful Dead em São Francisco. Apesar do nome enganoso - roubado dos artistas de blues Pink Anderson e Floyd Council -, o Pink Floyd não era um grupo de hippies maltrapilhos se aventurando na musica negra, e sim um bando de estudantes de arquitetura e arte bem vestidos em busca de um som proprio. The Piper At the Gates of dawn atingiu esse objetivo com resultados fascinantes. O sucesso do album se deve a habilidade da banda em equilibrar a exploração sonora de seus shows ao vivo e a técnica de composição por trás de hits como "Arnold Lane" e "See Emily Play". Ninguém escrevia canções psicodélicas melhor do que Syd Barrett. Mesmo "Astronomy Domine" orbita ao redor de uma estrutura pop conhecida. No entanto, o compositor estava claramente lutando para controlar a musica e a mente, enquanto o baixista Roger Waters, o pianista Richard Wright e o baterista Nick Mason queriam decolar numa viagem espacial. Essa tensão fez com que a barroca "Matilda Mother" e jazzistica "Pow R to Toc H" funcionassem muito bem. A peça central do album é "Interstellar Overdrive", um passeio de foguete que dura dez minutos e contém a melhor execução de guitarra da banda antes da chegada de David Gilmore. Logo depois Syd Barrett teria um colapso mental e o grupo ganharia as diretrizes da guitarra épica de Gilmore. Waters se tornaria a força criativa da banda e alimentaria o fascinio do público com seu ciclo de canções conceituais. O Pink Floyd voaria mais alto, especialmente em Dark Side of the Moon, mas, com The Piper..., o grupo conseguiu capturar com perfeição a essencia psicodelica dos anos 60.

The Who - My Generation (1965)


O primeiro album do The Who, que hoje evoca o espirito de uma londrina Carnaby Street que nunca existiu, é apenas superficialmente um som Mod. Na verdade, My Generation é o som desesperado de uma banda jovem e confusa sobre sua identidade, explorada por pessoas mais velhas da industria do disco, e com apenas uma certeza: de sua assustadora energia e sua capacidade de canalizá-la para a música. O grupo mudou de nome três vezes ao longo dos anos, dispensou empresários e integrantes, trocou de gravadora e lançou um single que não fez sucesso (I´m The Face, composto por Pete Meaden el lançado em 1964 para tentar introduzir a banda na cena Mod). Daltrey, Townshend, Entwistle e o recém-chegado Keith Moon sabiam que seu primeiro album precisava chamar atenção. E conseguiram. Eles contrataram o produtor dos Kinks, Shel Talmy (para quem Townshend adaptou "I can´t Explain, que, com seus acordes cortantes, lembrava os primeiros sucessos dos Kinks), e gravaram um punhado de canções de ótima qualidade. Os destaques obvios são My Generation, na qual Daltrey simula um viciado em drogas balbuciando frases como a conhecidissima e sucinta "Hope i die before i get old"; "I don´t Mind", com suas sofisticadas harmonias vocais e riffs de guitarra que estavam alem do seu tempo; e "The Kids are Alright", quase o hino de uma geração, na qual Townshend ressalta (não pela ultima vez) as dificuldades da juventude. O The Who evoluiu de forma a se tornar uma fera sofisticada nos discos posteriores, mas a crueza de My Generation faz deste album um marco.

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-nerd Skin-nerd (1973)



Em 1973, Lynyrd Skynyrd surgiu dos pantanos da Flórida como se fosse um filho indesejado do novo Sul dos EUA, uma cultura ao mesmo tempo arrependida e desafiadora de sua herança maculada. Quando gravou seu album de estréia, o Skynyrd já estava afiado no som agil, embalado por frango frito dos bares e espeluncas de Dixieland, juntando, pelo caminho, um trio de guitarras ferozes, para complementar uma seção ritmica bem-ajustada e a voz poderosa de Ronnie Van Zant. O mais importante, porem, neste album - e para as incontaveis bandas que se inspiraram nele - eram as ambiguidades que diferenciavam o grupo. Os integrantes da banda pareciam confederados truculentos, mas sua musica tinha o toque dos imigrantes negros. Pronounced... exibia e tambem desafiava os estereotipos dos sulistas e a banda se tornou a primeira manifestação verdadeira do rock do Sul. Com um pouco de blues, um pouco de country e um pouco de The Who, o disco mostra o melhor dos riffs do rock na bombastica musica de abertura, "I ain´t the one", e na advertencia de Poison Whiskey. Se os rivais Allman Brothers tinham se aventurado no jazz num estilo hippie, o Skynyrd apresentava o mesmo virtuosismo, mas ancorado no blues. A acustica Mississippi Kid, é um boogie do Delta e Things Goin On, soa familiar, como se fosse tocada no bar vizinho. E há "Freebird", um fecho de tirar o folego, que transformou a banda em celebridade e colocou o album nas paradas. Meditativa, frágil, rica e comovente, essa musica é uma lição de rock em nove minutos, incluindo uma divertida explosão de guitarra raramente vista até então, e mesmo desde então.

Bob Marley And The Wailers - Catch a Fire (1973)


Em dezembro de 1971, em Londres, um Bob Marley maltrapilho adentrou o escritorio de Chris Blackwell, fundador da Island Records, em busca de uma chance. Também jamaicano, Blackwell viu ali uma oportunidade de ouro e adiantou US$ 6 mil para que Marley e sua banda, The Wailers, voltassem para a Jamaica e gravassem um album. De posse das fitas master, Blackwell recrutou musicos americanos de estudio, acrescentou guitarras de rock e teclados e encomendou uma capa bacana, no formato de um isqueiro Zippo. O álbum recebeu criticas entusiasmadas e preparou o terreno para a ascensão internacional do reggae. Este não foi apenas o primeiro album de reggae a entrar o mercado de rock, mas também a primeira parceria de Marley com os companheiros fundadores do Waillers, Peter Tosh e Bunny Livingstone. Sustentado pelas linhas de baixo fortes e disciplinadas de Aston Barrett e pelas notas ascendentes da guitarra de Tosh, o trio mostra a variedade de sua habilidade vocal, transmitindo sua mensagem engajada numa rica harmonia. A mágica faixa de abertura, "Concrete Jungle", traz o desespero diante da terrível pobreza dos guetos urbanos. A vigorosa "400 years", de Tosh, e a ameaçadora "Slave Driver" lembram o legado histórico opressivo da escravidão; em "No More Trouble", eles dizem "We don´t need trouble" e apresentam a solução num desafio - "What we need is love". Há ainda incursões a romances - a deliciosa "Stir It Up", com sua linha de baixo crescente e sinuosos solos de wah-wah (uma cortesia dos acréscimos feitos por Blackwell), leva à relaxante "Kinky Reggae", que tem um divertido jogo de repetições. Marley canta todas as faixas, à excecão de duas, mas Cath a Fire é, sem dúvida, o trabalho de uma banda ávida e cheia de energia criativa.

Mutantes no Estúdio: Liberdade Total



Há que ser dito: os Mutantes sempre puderam gozar da liberdade de fazer o que bem entendessem dentro dos estudios de gravação. Manoel Barenbein, produtor dos dois primeiros LP´s, lembra: "Era uma loucura. A parte musical era dirigida pelo Arnaldo, e rolavam mil idéias". E cita exemplos. O que se ouve parecido com o som de um chimbau invertido em "Le Premier Bonheur Du JOur" (faixa do primeiro LP) é o ruído de uma bomba flit (aquela usada antigamente para vaporizar inseticidas). Na gravação de "Bat Macumba" eles incluiram na mixagem uma das falas da Rita, tipo "Manoel, me um Kri-Kri" (uma marca de chocolate da época), gravadas acidentalmente. E para a gravação de "Panis at Circensis" foram convocados vários funcionários do estúdio, inclusive o proprio Barenbein, para que fizessem ruídos de mesa de jantar, com falas do tipo "me passa a salada", ruídos de talheres etc. Os primeiros LP´s foram gravados em quatro canais. Através do método de redução, eles conseguiam adicionar orquestra, percussao e vozes, bem no esquema Sgt. Peppers dos Beatles. Só que a maioria dos efeitos eram "criados" no estudio. Claudio Cesar Baptista, irmão mais velho de Arnaldo e Serginho, foi responsável pela invenção da maioria deles, como, por exemplo, um engenho que unia motor de maquina de costura e "tremolos" (efeitos que variam graves e agudos) para criar sons semelhantes aos de uma moto. E para a gravação de vozes "diferentes", Claudio bolou uma serie de truques, como a utilização de fones de ouvido ligados em caixas Leslie, ou microfones ligados a efeitos sintetizadores. Nas capas dos LPs dos Mutantes faltam muitos creditos importantes. O baterista do primeiro LP (que é o unico em quem Dinho não toca) é um tal de Dirceu, baiano, musico de estúdio. No mesmo LP Jorge Ben canta em "A minha menina". A dupla caipira que toca e canta com os Mutantes em "2001" do segundo LP, não é citada e ninguem (das pessoas envolvidas na produção do disco) se lembra do nome deles (aliás, os fão provalvelmente sequer desconfiavam que aquela entrada "caipira" em 2001, nao foi feita pelos Mutantes). E, ainda no mesmo LP, Liminha toca viola na faixa "Mágica" (ele ainda não era integrante do grupo). No LP A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, outro esquecimento importante: quem toca conga em "Ando Meio Desligado" e "Meu refrigerador não funciona" é Naná Vasconcelos (a gravação foi feita pouco antes dele viajar para a Europa).

Os Mutantes - Os Mutantes (1968)


Para o resto do mundo, o Brasil significava futebol, belos corpos e bossa nova. A frase "ditatura militar repressora" aparecia em poucos guias turísticos. A chegada dos hippies no verão de 67 trouxe a contracultura para o foco das atenções, com resultados devastadores. Liderados por jovens compositores como Gilberto Gil, Caetano Veloso, os tropicalistas pegaram tudo o que tinham ouvido em Londres e São Francisco e fizeram a coisa do seu jeito. A direita odiou seus cabelos, sua moralidade e as drogas; a esquerda detestou como eles corromperam a musica brasileira de raiz. Os Mutantes flutuavam nesse redemoinho - Rita Lee e os 3 irmão Baptista (apenas dois apareciam no palco). Quer saber de uma esquisitice? Dois minutos depois de começar a faixa de abertura, "Panis at Circensis", o toca-discos parece diminuir a rotação e parar. Quando a pessoas levanta para ver o que aconteceu, o aparelho volta a vida. E, quando senta novamente, a musica termina com os ruídos da banda fazendo uma refeição - uma sonoplastia da sala de jantar mencionada na letra. A iluminada "Minha Menina" vem a seguir, com as guitarras distorcidas e efeitos eletronicos feitos a mão pelo terceiro irmão Baptista. Parece um pop perfeito para ser tocado em Copacabana, mas o hippies estavam sendo fisicamente atacados de todos os lados. Em 1968, o governo brasileiro adotou o estado de exceção. Gilberto Gil e Caetano Veloso se exilaram; o tropicalismo evaporou. Os Mutantes, claramente incapazes de liderar qualquer revoulução, continuaram e, na verdade, cresceram em popularidade no inicio dos anos 70. Devem ser lembrados pela insana Bat Macumba ( o samba "Tomorrow Never Knows") e "Baby" (uma "Eleanor Rigby" erótica).
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